Lula e Alcolumbre selam a paz em nome de suas respectivas pautas
18 de agosto de 2026
Difícil encontrar na história do Brasil um período em que os presidentes dos poderes executivo e legislativo federal viveram harmoniosamente. Simples antipatias ou oposição ferrenha com direito a toda sorte de impropérios vêm desde o tempo do Marechal Deodoro, passando por Getúlio Vargas, Fernando Collor e Dilma Roussef – esses dois últimos, alvos de processos de impeachment abertos por Ibsen Pinheiro e Eduardo Cunha, respectivamente.
A relação de Lula com Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) está longe de ir às vias de fato, como nos casos acima, mas também nunca chegou nem perto da gestão do ex-senador Rodrigo Pacheco (PSD/MG) que transitou com elegância tanto entre o governo de Jair Bolsonaro quanto no início do governo Lula. Um verdadeiro fidalgo.
Alcolumbre é uma raposa sabida, capaz de criar dificuldades que beiram o incontornável para quem ocupa o terceiro andar do Palácio do Planalto – e independente da coloração política do presidente da República da vez. Dois breves exemplos: deu um chá de cadeira de quase quatro meses para pautar a sabatina de André Mendonça na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mendonça, hoje integrante do Supremo Tribunal Federal foi indicado por Bolsonaro ao STF. Mas, a pior maldade ainda estava por vir: Dizem as más línguas que foi a articulação de Alcolumbre que barrou a indicação de Jorge Messias ao mesmo STF na sabatina da mesma CCF. Messias foi indicado por Lula.
Ainda segundo as más linguas, foi a partir dalí que Lula tirou Alcolumbre do coração. Antes de Messias, a última vez que o Senado rejeitara uma indicação ao STF foi em 1894. Uma derrota acachapante, vexaminosa, afrontosa, humilhante. Mas a arte da política requer mais que coração quente e mente fria, como diz Abel Ferreira. E o coração aqueceu nesta segunda-feira, 17.
“Em nome do povo amapaense, em nome deste pedaço de chão do Brasil, no extremo Norte do Brasil, novamente, nossos agradecimentos por enfrentarmos este desafio tendo sob a sua liderança a proteção da defesa da economia nacional”, disse um emocionado Davi Alcolumbre sobre o presidente da República. Tão bonito isso! “Essa semana, (ele) teve uma atitude muito importante para o Brasil. Essa semana, eu tive uma conversa com o senador Alcolumbre e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil”, declarou Lula. Comovente.
Os dois estavam na terra do senador, prestigiando a descoberta de petróleo na Margem Equatorial pela Petrobras. De macacão laranja, como verdadeiros petroleiros. Uma cena que lembrou os festejos de Lula na descoberto do pré-sal.
Por trás dessa ‘sólida’ amizade estão motivos simples: Lula lidera as pesquisas para conquistar seu quarto mandato à frente da Presidência da República. Alcolumbre quer se manter à frente da presidência do Senado e é muito melhor ter o apoio do chefe do Executivo.
Adaptando a célebre frase de James Carville, assessor de Bill Clinton: é a política, estúpido!