Robotáxi quer rodar no Brasil, mas a lei ainda segura o volante
17 de julho de 2026
Aramis Merki II e Mariana Ribas
Plataformas de transporte que atuam no mercado brasileiro estão de olhos bem abertos para o avanço dos carros autônomos – os “robotáxis” – em apps de mobilidade no exterior, segundo fontes próximas a empresas do setor.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a Uber tem investido pesado na operação de carros automáticos, sem motoristas, por meio de parcerias com empresas de tecnologia de direção autônoma. A Waymo, uma subsidiária do Google, já opera cerca de 4 mil veículos autônomos em 14 cidades e acaba de anunciar expansão para mais quatro. A DiDi, dona da 99 no Brasil, transporta passageiros 24 horas por dia em cidades chinesas como Guangzhou e Pequim e mira o Oriente Médio como próximo mercado.
Por aqui, o avanço ainda está nos corredores do Congresso, já que depende de uma regulamentação para poder avançar no Brasil. O Projeto de Lei que autoriza os carros autônomos foi proposto pelo deputado Alberto Fraga (PL-DF) em 2023. Foi aprovado na Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara no ano passado, mas ainda precisa passar pelas casas legislativas para virar Lei.
O apetite do mercado por essa tecnologia aparece nos investimentos que o setor atrai. Em fevereiro, a Waymo levantou US$ 16 bilhões numa rodada que avaliou a empresa em US$ 126 bilhões. Não há data de abertura de capital e a própria empresa evita o assunto publicamente. Mas a lista de investidores – Sequoia, T. Rowe Price, Fidelity, Silver Lake – sugere que um IPO é questão de tempo.
Quem não quer bancar o desenvolvimento da tecnologia está comprando acesso a ela. A Uber investiu US$ 1,25 bilhão na Rivian para adquirir até 50 mil robotáxis até 2031, e fechou acordo parecido com a Lucid. Na Turquia, a Marti, maior aplicativo de mobilidade do país, anunciou parceria com a americana Tensor para rodar veículos autônomos em vinte cidades, incluindo Istambul e Ancara.
A Organização Mundial da Saúde estima que a automação veicular poderia evitar 1,19 milhão de mortes no trânsito por ano. É um número que costuma aparecer nos argumentos a favor do robotáxi. No Brasil, esse argumento esbarra em um modelo regulatório, pensado para o motorista, não para os algoritmos. O projeto que corre em Brasília exige autorizações prévias, testes documentados e responsabilização do fabricante em caso de falha do sistema.
Para as plataformas de transporte que operam por aqui, carro sem motorista ainda parece plano de longo prazo, mas todas estão atentas à tramitação. Tecnologia, ao que tudo indica, não é o gargalo. O que falta para o País entrar de vez nessa corrida é a regulação.
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