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Exercício de fé

A universalização do saneamento básico enfrenta desafios, inclusive da crença de executivos do setor. Veja por quê

20 de maio de 2026

Elisa Calmon

Confiar que o Brasil irá garantir pleno acesso à água e esgoto até 2033, como determina o marco legal do saneamento, virou um exercício de fé. Dias atrás, durante uma conversa em um evento do setor, um executivo resumiu o sentimento: “A universalização não chega em 2033. Se Deus intervir na Terra, talvez em 2040 ou 2050”.

Não é para menos, uma vez que a conta bilionária ainda é difícil de fechar: O Brasil precisará investir cerca de R$ 900 bilhões para cumprir as metas do marco legal até 2033, que foi sancionado em 15 de julho de 2020.

Companhias estatais e privadas têm recorrido a diversas alternativas para destravar investimentos. De parcerias público-privadas (PPPs), concessões plenas a emissões de debêntures. Mas também esbarram no próprio endividamento.

Mas desigualdade entre diferentes regiões do País ilustra o grande desafio. Na Paraíba, que leiloou uma PPP na semana passada, o atendimento urbano de esgoto é inferior a 7% em uma das áreas concedidas. Na outra ponta, a Sabesp aposta em universalizar os serviços até 2029. Já o Distrito Federal têm cobertura praticamente plena de água e esgoto.

Diante dessa discrepância, a sensação é que a universalização avançou mais no discurso do que nos projetos. Parece mesmo precisar de intervenção divina para uma parte relevante do País.