Quanto custa uma guerra em seus primeiros dias? E o que esse número tem a ver com o caixa de duas gigantes brasileiras?
19 de março de 2026
Por Francisco Carlos de Assis
Quanto custa uma guerra em seus primeiros dias? E o que esse número tem a ver com o caixa de duas gigantes brasileiras?
Os pedidos de recuperação extrajudicial protocolados recentemente por Grupo Pão de Açúcar (GPA) e Raízen chamam atenção não apenas pelo tamanho das cifras, mas pelo tipo de comparação que elas provocam. Somadas, as dívidas chegam a R$ 69,5 bilhões (R$ 4,5 bilhões do GPA + R$ 65 bilhões da Raízen), segundo a consultoria Siegen. Esse é um montante que, em escala, ultrapassa o custo informado pelo Pentágono para os seis primeiros dias da guerra contra o Irã, de US$ 11,3 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões).
A analogia transforma números abstratos em dimensão concreta. E, nesse caso, expõe um recado incômodo para o mercado: com juros elevados e crédito mais seletivo, até empresas grandes passam a operar no limite.
Segundo o CEO da Siegen, Fábio Astrauskas, os pedidos reforçam a necessidade de atenção ao ambiente de crédito no Brasil. “Esses números evidenciam o tamanho do desafio financeiro enfrentado por grandes corporações e sinalizam um momento que exige disciplina, reestruturação e visão estratégica”, avalia.
A leitura da consultoria é que movimentos de reestruturação tendem a ganhar protagonismo em ciclos econômicos mais restritivos e funcionam como um tipo de termômetro da saúde financeira corporativa.
Para 2026, a expectativa da Siegen é de 3 mil pedidos de recuperação judicial, com destaque para empresas do agro e do varejo. Se confirmada, a marca representaria queda de 47,18% frente ao recorde histórico de 5.680 pedidos em 2025.
Em valores, porém, a projeção é de um contraste: o total das dívidas envolvidas em 2026 tende a ser muito maior do que o montante de R$ 40 bilhões registrado no ano anterior.
Veja também