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The clock is ticking

Será que o próximo Copom, que deve iniciar o ciclo de corte de juros, vai acontecer ainda desfalcado?

13 de fevereiro de 2026

Por Denise Abarca e Simone Cavalcanti

A expressão the clock is ticking não poderia se encaixar melhor. Sim, o tempo está passando e, logo ali, em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para uma das mais importantes decisões da era Gabriel Galípolo. O mercado financeiro, mas, principalmente, o mundo político, estão ávidos pelo início do ciclo de cortes dos juros.

Mas a diretoria do Banco Central segue desfalcada. A espera pelos nomes para as áreas de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central vem desde o segundo semestre do ano passado, na medida em que se aproximava o fim dos mandatos respectivos de Diogo Guillen e Renato Gomes, indicados pelo governo Bolsonaro.

O próximo Copom será realizado em 17 e 18 de março. Ou seja, pouco mais de um mês (e considerando que o Carnaval está aí) para que o governo indique oficialmente os nomes, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado marque e faça a sabatina e o Plenário da Casa aprove. Pelo visto, será tudo a toque de caixa.

Enquanto isso, no mercado financeiro, foi mal recebida a sugestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao presidente Lula, do secretário de Política Econômica da pasta, Guilherme Mello, a uma das cadeiras que estão vagas desde o fim de 2025. O mercado considera o economista de perfil heterodoxo, com riscos a uma contraposição à linha dura imposta por Galípolo, do ponto de vista da política monetária.

Outro recomendado foi o economista Tiago Cavalcanti, graduado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre e doutor na mesma área pela Universidade de Illinois, na qual também o atual diretor de Assuntos Internacionais, Paulo Picchetti, obteve o seu doutorado.

A demora é atípica e abre espaço a uma série de especulações. Entre elas, a de que um arranjo estaria sendo estudado, envolvendo, além dos indicados, também o nome de Picchetti. Ele assumiu interinamente a diretoria de Política Econômica e poderia tornar-se o titular, deixando vaga a cadeira de Assuntos Internacionais.

Com mudança das cadeiras ou não, o Banco Central deve finalmente começar a reduzir o nível de juros, como já atestou Galípolo publicamente. Resta saber se, para a decisão, terá mais cabeças para pensar, e pesar, se a Selic cairá para 14,75% ou 14,50%. O tempo vai dizer.

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