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Em um jantar na Granja do Torto, Lula mostrou que a Selic alta segue indigesta

5 de fevereiro de 2026

Por Simone Cavalcanti*

Que Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, está acostumado a segurar alguns rojões políticos não é novidade. Ano passado foi até ao programa da Ana Maria Braga para explicar o tarifaço de Donald Trump à população. Desta vez, o problema escalou para o PIB.   

No jantar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu a parlamentares na Granja do Torto, em Brasília, na quarta-feira, ao discursar, perguntou diretamente a Alckmin: como o país pode crescer com juros de 15% ao ano? 

Alckmin nada disse. Mas, como médico e que gosta de fazer analogias, poderia responder que é melhor tomar a dose certa de um antibiótico para combater a infecção do que parar o tratamento na metade e fazer a bactéria voltar mais forte e resistente.

Lula mencionou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, que, muito embora mantenha a taxa Selic a 15%, parece continuar sendo seu menino de ouro (e olha que o metal valorizou muito!). O presidente afirmou, segundo relatos dos presentes, que não pode reclamar. Afinal, ele mesmo indicou Galípolo. Só resta confiar e manter o otimismo de que o ciclo de queda virá, assim como a economia vai deslanchar.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou do jantar. Mas, no intrincado xadrez político, ele nada falou agora que as malas estão prontas para desembarcar do governo e, quem sabe, disputar a eleição para o Palácio dos Bandeirantes. Já não estava, como Alckmin, sentado à mesma mesa do presidente, mas ao lado. Apenas apreciou o menu que tinha como prato principal pirarucu, acompanhado de arroz, legumes, pirão e farofa de dendê. 

PS: o nome de Alckmin também está na roda para a disputa ao governo do estado de São Paulo. Hoje a ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse que ele e Haddad são os melhores para a disputa.

*Com Gabriel de Sousa e Victor Ohana

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