Ser um dos berços do ouro negro, mas aderir à onda da eletrificação automotiva? Saiba mais sobre o que parece ser uma contradição
30 de janeiro de 2026
Por Alexandre Rocha
Maior exportadora e segunda maior produtora mundial de petróleo, a Arábia Saudita é intimamente ligada à commodity. O país do ouro negro é também um dos maiores consumidores globais de combustíveis e tem baixíssima participação de renováveis em sua matriz energética. Mesmo assim, aderiu à onda da eletrificação.
Os sauditas criaram a Ceer, primeira indústria automotiva nativa e primeira marca de veículos elétricos do país, cuja fábrica está em construção na Cidade Econômica Rei Abdullah (Kaec, na sigla em inglês), às margens do Mar Vermelho, a cerca de 1h30 de carro ao norte de Jeddah, segunda maior cidade da Arábia Saudita. Resultado de uma joint venture entre o Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano local, e a multinacional taiwanesa Foxconn, a produção da empresa deve começar no último trimestre deste ano.
Ceer é a transliteração para o inglês da palavra árabe sir, que significa andar adiante. A empresa se insere na meta saudita de chegar em quatro anos com 30% da frota da capital Riad composta por veículos elétricos, parte do programa Visão 2030 de diversificação econômica do país para além do petróleo. Companhias estrangeiras como Tesla e BYD estão também de olho neste mercado.
O PIF está por trás ainda da Lucid Motors, indústria de veículos elétricos fundada nos Estados Unidos que instalou uma fábrica na Arábia Saudita, também na Kaec. O fundo é acionista majoritário da companhia.
Ambas as empresa integram a Iniciativa Verde Saudita (SGI). O país tem a meta de zerar suas emissões líquidas de carbono até 2060. Além disso, os sauditas querem atrair novas indústrias e abocanhar parte do mercado internacional de veículos elétricos, especialmente na vizinhança.
Mas apesar dos investimentos com objetivos sustentáveis, a Arábia Saudita foi um dos principais opositores da inclusão do chamado Mapa do Caminho para a redução e futuro abandono do uso de combustíveis fósseis na declaração final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), realizada em novembro, em Belém, no Pará.
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