A prata pega carona na cotação do ouro e fecha 2025 com valorização de 160%
8 de janeiro de 2026
Por Mateus Fagundes
Primeiro foi o rali do ouro. A demanda por ativos de segurança por causa do aumento do risco geopolítico, a necessidade de proteção contra a inflação futura e as compras dos bancos centrais fizeram o metal amarelo saltar ao maior nível da história, beirando os US$ 4.800 a onça-troy. O cenário de desvalorização global do dólar deu um incentivo adicional à cotação, que disparou 65% no ano passado, o maior ganho anual desde 1979, na esteira do segundo choque do petróleo.
Também no maior avanço anual desde 1979, a prata pegou carona no rali do ouro. Mas mostrou ter ainda mais combustível. A onça chegou a ultrapassar os US$ 80 em dezembro e o salto acumulado em 2025 foi de 160%. Parte disso se deve ao próprio aumento do ouro.
Com o metal amarelo no all-time-high, ficou caro demais para que investidores de menor porte montassem posições em ouro. Foi então que eles migraram para a prata, também vista como um ativo seguro, ainda que em menor grau. Esse movimento ocorreu principalmente na Índia, onde os agricultores entesouraram os ganhos da última safra comprando pequenas porções – físicas mesmo – de prata.
No caso do ouro e da prata, existe também a demanda da indústria de tecnologia, que usa os metais para a produção de componentes como microchips.
Ainda no campo manufatureiro, o cobre também tem tido ganhos firmes e vem chamando a atenção do mercado. A tendência de eletrificação dos veículos já tem ajudado há muito tempo a sustentar as cotações. Interrupções de minas de países-chave como a Indonésia, o Congo e o Chile também apoiam os preços perto das máximas históricas.
E não deve ficar por aí. O temor de que Donald Trump amplie ainda mais as tarifas contra a importação do metal paira no ar. Com isso, as ordens de compras das grandes tradings dos Estados Unidos dispararam na última semana. A tonelada na LME bateu os US$ 13 mil no dia 6 de janeiro, um aumento superior a 10% em 30 dias. Tudo indica, portanto, que o cobre é a bola da vez no mercado de metais.
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