Agência Minera Brasil
28/05/2024 13:40

Verde Agritech se afunda em dívidas que chegam a RS 190 milhões reais






Empresa pediu à justiça proteção contra ações de execuções de garantias, após queda de 54% nas vendas no 1º trimestre e acendeu sinal de alerta de que talvez a companhia não possa entregar o que prometeu aos investidores no Canadá.



A Verde Agritech produz fertilizante de potássio em Minas Gerais e tem ações negociadas no Canadá (TSX: NPK), pediu à justiça proteção de seus ativos contra ações de execuções de garantias, após deixar de pagar parcelas de financiamentos em sete bancos. O valor da dívida gira em torno de R$ 190 milhões, sendo o maior credor, o banco do Brasil, com 19 milhões, a lista incluir ainda Santander, Bradesco, Inter e Votorantim.


A verde disse em comunicado que a medida faz parte de seu plano para reestruturar a dívida. Segundo a companhia, o pedido visa garantir continuidade de suas operações enquanto renegocia com os credores. A empresa quer uma extensão substancial no prazo de pagamento, período de carência e uma redução nas taxas de juros, que hoje gira em torno de 14,4% ao ano.

"A dívida é muito alta e cara no curto prazo. Eles estão vendendo menos com preço menor e isso impactou caixa da empresa," disse uma fonte do mercado de fertilizantes. Agentes do mercado dizem em reserva que forçar bancos a renegociarem dividas, como pretende a Verde, pode atrapalhar outros projetos - que visam e reduzir a dependência do país na importação fertilizantes - que necessitam captar recursos no mercado financeiro.
Ao reportar resultado decepcionante em seu relatório do primeiro trimestre, a verde culpou, geopolítica, câmbio e condições climáticas adversas, o que ela chamou de "tempestade perfeita", que atingiu o mercado brasileiro de fertilizantes e resultou numa diminuição significativa na procura do insumo no primeiro trimestre de 2024.
"Embora estejamos decepcionados com as condições gerais do mercado e os resultados do primeiro trimestre de 2024, estes ainda foram cinco vezes maiores que os do primeiro trimestre de 2021. Os fundamentos estão estabelecidos e as novas equipes de vendas e marketing da Verde estão fazendo progressos significativos, o que me deixa muito entusiasmado com a trajetória de longo prazo da nossa empresa", disse o fundador, presidente e CEO da Verde, Cristiano Veloso.






Tempestade perfeita

A tempestade perfeita citanda pela Verde como motivo para pedir na justiça proteção contra seus credores fez o mercado levantar outras teses para o resultado da companhia. "Cristiano sempre se gabou de ter uma mina gigante, mas nunca avançou na qualidade do produto," diz uma fonte que conhece os bastidores da Verde.
Segundo ela, a queda nas vendas pode estar relacionada a baixa eficiência agronômica do principal produto da Verde, o K Forte, um fertilizante potássico natural produzido a partir de rochas fosfatadas. A empresa destaca que seus produtos são derivados de fontes naturais e buscam promover a agricultura sustentável.
A verde sempre teve um posicionamento agressivo de marketing para atrair o produtor. rural. "Eles ganharam muitos clientes, mas não tinham uma equipe suficiente para dar assistência no campo aos produtores, como engenheiros e técnicos em agronomia para fazer esse pós venda e garantir vendas recorrentes," avalia um antigo colaborador da Verde.
A Verde tem vários desafios pela frente, o primeiro é garantir sua capacidade operacional e mostrar que seu produto é tão eficiente como diz sua campanha de marketing, contestada pelos concorrentes. Eles argumentam que o principal produto da empresa, o K forte, não nutre a planta com a rapidez propagandeada pela empresa e que isso explicaria o fraco desempenho nas vendas do primeiro trimestre, já que agora os produtores conhecem o produto e sabe exatamente o seu resultado dele nas plantações.


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