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XP: desaceleração em financiamentos imobiliários não veio de restrição ao crédito

22 de setembro de 2026, às 11:10

Por Vinícius Novais

São Paulo, 22/09/2026 – A XP avalia que a desaceleração na concessão de financiamentos imobiliários pela Caixa observada entre junho e julho de 2026 parece ter sido causada por um problema temporário de execução ou por maior seletividade, e não por uma restrição estrutural ao crédito habitacional.

Segundo os analistas Ygor Altero, João Rodrigues, Bernardo Guttmann e Guilherme Meneghetti, o atrito levantou preocupações sobre um possível aumento da inadimplência, mas a deterioração dos indicadores de crédito do banco teria ficado concentrada principalmente no agronegócio, enquanto a qualidade dos ativos da carteira habitacional permaneceu comparativamente controlada no segmento de incorporação.

De acordo com a XP, o episódio passou a chamar atenção depois de incorporadoras de baixa renda relatarem aprovações mais lentas na Caixa em junho e julho, com efeitos sobre a contratação dos financiamentos, os repasses e a conversão em caixa. O relatório afirma que o problema surgiu após a venda comercial e, assim, estaria mais relacionado ao ritmo de execução do processo do que a um enfraquecimento imediato da demanda habitacional. As empresas também teriam observado maior rigor nas concessões, inclusive com a exigência de entrevistas presenciais em algumas regiões.

A XP diz que uma hipótese inicial era a de que a piora da inadimplência entre tomadores de crédito teria levado a Caixa a endurecer seus critérios, mas a concentração da deterioração no agronegócio enfraqueceria o argumento de uma piora generalizada no crédito habitacional como causa principal da desaceleração – embora os analistas ressaltem que mudanças temporárias nos critérios de aprovação não podem ser descartadas.

Na análise sobre funding e capital, a XP afirma que o contexto pode ter incentivado mais disciplina na originação, citando custos marginais de funding mais elevados, provisões elevadas e menor geração de capital. Ainda assim, o relatório aponta que os colchões de capital e o acesso a fontes de funding administradas seriam mais compatíveis com volatilidade temporária na execução ou maior seletividade do que com uma limitação para sustentar o financiamento habitacional neste momento.

Para as incorporadoras, o principal risco segue sendo a desaceleração dos repasses. O relatório afirma que um acúmulo temporário tende a deslocar a geração de caixa entre trimestres, enquanto um descasamento persistente pode elevar a exposição ao financiamento dos clientes e influenciar a seletividade nos lançamentos. Com isso, a XP segue construtiva com as incorporadoras de baixa renda, afirmando não ver mudanças estruturais na Caixa, e avalia que a reação do mercado foi um pouco excessiva, deixando esses nomes negociando em níveis mais atrativos e com um ponto de entrada considerado interessante.

Contato: vinicius.novais@estadao.com

*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

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