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Tarcísio: Não tenha dúvida, nós vamos tirar o Brasil do PT

26 de novembro de 2025

Por Geovani Bucci

São Paulo, 26/11/2025 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante participação no evento UBS Wealth Management Latam Summit, na capital paulista. Segundo o governador, os chefes de Executivo estaduais de direita e centro-direita vão se reunir até março do ano que vem e, com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotar o petismo em 2026. “Não tenha dúvida, nós vamos tirar o Brasil do PT”, afirmou.

Tarcísio afirmou existir um “grande respeito” pela liderança construída pelo capitão reformado ao longo dos últimos anos e disse enxergar no ex-presidente um capital político que, segundo ele, precisa ser considerado. O governador avaliou que essa influência será relevante para “pacificar arestas” dentro do campo da direita e ajustar divergências internas. Para ele, não há dúvida de que Bolsonaro ainda exercerá um papel central nesse processo. Ontem, Bolsonaro começou a cumprir a pena de 27 anos de prisão e 3 meses pela liderança da trama golpista. Ele está detido em uma cela na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Esse arranjo é muito mais provável do que se imagina, vai ser muito mais forte do que se imagina e vai ser um arranjo vitorioso”, disse o governador. “Não tenham ansiedade […] Não existe isso: ‘Ah, é dezembro’. Não, não é. Pode ser janeiro, pode ser fevereiro, pode ser março. E não tem problema, vai dar tempo.”

Tarcísio afirmou manter diálogo frequente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros membros da família, incluindo o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). Segundo ele, suas experiências militares criaram vínculos que explicam o laço de amizade e gratidão que mantém com Jair Bolsonaro, algo que descreveu como “inquebrantável”. O governador reiterou que, independentemente das dificuldades enfrentadas pelo ex-presidente, continuará oferecendo apoio e solidariedade e disse planejar uma visita para levar pessoalmente essa mensagem.

Tarcísio questionou se o tratamento dado ao capitão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido adequado, ponderando se é razoável impor restrições mais duras “a um ex-presidente de 70 anos que recebeu 60 milhões de votos”. Ele comparou a situação com a de outros investigados que obtiveram prisão domiciliar e indagou por que o mesmo benefício não poderia ser concedido ao ex-mandatário.

O governador também lamentou as “oportunidades perdidas” diante do que considera um cenário de juros excessivamente altos, afirmando que ninguém poderia estar satisfeito com uma taxa de 15% ao ano. Para Tarcísio, o patamar atual é resultado direto de um “governo gastador”, que, ao elevar despesas, pressiona a necessidade de financiamento e empurra a taxa para cima. O governador avaliou que o País precisará de uma reforma orçamentária, com medidas como desvinculação de receitas, desindexação e redução de investimentos obrigatórios.

“Tem um pessoal que às vezes fica feliz e celebrando até, em alguns lugares: ‘Olha, fulano recuperou um pouco, tal, virou favorito’. Beleza. Se ganhar a eleição, como é que fica?”, continuou. “Vai ter um encontro com 2027. […] Então, não adianta: você vai enfrentar o problema das contas logo ali na frente. E aí: vai ter pulso para fazer as reformas e se colocar contra a base ou vai deixar o Brasil quebrar e mergulhar numa recessão?”

Tarcísio citou governadores como Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Júnior (PSD-PR), Eduardo Leite (PSD-RS) e Jorginho Mello (PL-SC) como exemplos de gestores que, segundo ele, “fizeram o dever de casa” e recuperaram Estados antes fragilizados. Ao mencionar o ex-ministro de Bolsonaro Paulo Guedes como “um luxo” pela formação e visão econômica, disse acreditar que a direita, apesar de parecer desorganizada, deve apresentar um projeto nacional baseado em pilares como desburocratização, desindexação, desvinculação e uma combinação de diretrizes liberais e conservadoras.

Nesse sentido, ele destacou o período pós-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o projeto “Ponte para o Futuro”, afirmando que a transição liderada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) conseguiu implementar reformas relevantes – como a trabalhista, o teto de gastos e a agenda de parcerias – em um ambiente que o mercado via que tinha saído de uma era antibusiness para uma era pró-business.

Contato: geovani.bucci@estadao.com

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