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20 de fevereiro de 2026
Por Bruna Camargo
O ambiente regulatório mais receptivo aos fundos negociados em Bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de gestão ativa e o avanço da discussão institucional sobre o tema no Brasil deixaram o tom da gestora americana First Trust mais otimista no último ano. Na avaliação de April Reppy Suydam, líder da First Trust na América Latina, o debate evoluiu do estágio educacional básico para uma fase mais sofisticada, com investidores institucionais já demandando estratégias ativas no formato de ETF.
“Há cinco anos a conversa era o que é um ETF. Hoje estamos discutindo como avaliar ETFs ativos e como será incorporá-los em portfólios institucionais”, disse Suydam à Broadcast, durante passagem por São Paulo na última semana. “Estou muito, muito otimista com o desenvolvimento [do ETF ativo], com sua aprovação e chegada ao Brasil.”
Suydam conta que tem ouvido sinalizações positivas em relação à eventual autorização de ETFs ativos no mercado brasileiro. Para a executiva, a mudança regulatória seria um divisor de águas para o ecossistema local, que cresceu e se sofisticou nos últimos anos – dados da B3 mostram que o patrimônio da indústria já ultrapassa os R$ 98 bilhões.
Ao mesmo tempo, Suydam reconhece que o avanço do modelo de ETF ativo pode gerar desconforto na indústria local de fundos. “Pode ser visto como uma ameaça para os gestores locais”, observa. No entanto, ela afirma que isso não deveria ser visto como algo negativo, mas como parte da evolução do mercado.
Apesar dos avanços, Suydam também aponta desafios estruturais. Ela menciona limitações do modelo de BDRs de ETFs na B3, que, segundo ela, reduz liquidez ao criar um “invólucro” adicional em relação ao ETF original. Ainda assim, reconhece que o formato atende às necessidades fiscais e de enquadramento de fundos de pensão – que, no Brasil, são alguns dos principais clientes da First Trust, que concentra atuação em investidores institucionais.
No caso de aprovação dos ETFs ativos, a prioridade da gestora seria trazer ao Brasil estratégias chamadas de “buffered ETFs”, que combinam exposição a índices como o S&P 500 com mecanismos de proteção parcial contra perdas. Em seguida, avaliaria a oferta de produtos de renda fixa ativa, como senior loans (carteira com empréstimos corporativos) e mortgage-backed securities (carteira com títulos lastreados em hipotecas), evitando competir diretamente com ETFs amplos e de baixo custo já consolidados.
Rotação global de ativos
Suydam também está atenta à rotação global de ativos – com fluxo saindo dos Estados Unidos para outros países, como o Brasil -, mas adianta que a First Trust está posicionada para esse cenário. “Se acompanharmos os resultados corporativos, que são o principal indicador de desempenho das ações, vemos que o mercado está se ampliando. Essa é nossa tese e está acontecendo cada vez mais rápido”, diz a executiva, reforçando que “ampliar” significa olhar para além das “Sete Magníficas” – as outras 493 empresas do S&P 500, por exemplo.
De acordo com Suydam, as estimativas de resultados passaram a favorecer small e mid caps, além de estratégias multifatoriais e temáticas. Ainda, ela destaca que as principais perguntas que tem recebido de investidores da América Latina são sobre ETFs temáticos europeus, japoneses e mercados emergentes. Antes, os brasileiros focavam na exposição aos Estados Unidos.
Por fim, a executiva defende maior diligência na análise de índices tradicionais. “Muitos investidores compram ‘valor’ ou ‘S&P 500’ sem olhar a composição do ETF. É preciso entender o que se está comprando, não ter uma sobreposição de ações”, diz.
Contato: bruna.camargo@estadao.com
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