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22 de novembro de 2025
Por Naomi Matsui
Brasília, 22/11/2025 – A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tende a embaralhar a escolha política sobre quem será o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, na avaliação de parlamentares e de um analista político ouvidos pelo Broadcast Político.
A percepção é de que a prisão agrava o quadro de indefinição do nome da direita para o ano que vem. “O ‘Bolsonaro candidato’ era mais um espantalho, completamente improvável, mas ele estava nas articulações. A retirada de cena, incomunicável, tende a dificultar as definições da direita”, avalia o cientista político e professor do Insper Leandro Cosentino.
Cosentino considera que a esquerda é a maior beneficiada pela prisão de Bolsonaro e que partidos de centro, como o PP, de Ciro Nogueira, e o União Brasil, liderado por Antonio Rueda, poderão atuar como fiel da balança.
“A grande variável agora é para onde irão tanto as lideranças do centro quanto os eleitores. É óbvio que o bolsonarismo vai criar uma atmosfera de perseguição, e a esquerda e o PT vão comemorar. A grande questão é entender como o Centrão vai se comportar”, diz Cosentino.
Um parlamentar da ala lulista do PL, por exemplo, admite que o partido poderá usar a prisão como estratégia a favor da direita a médio prazo. “A prisão vai embaralhar ainda mais o jogo, mas ele [Bolsonaro] pode sair como vítima. Isso pode beneficiar a direita”, declara, sob reserva.
Efeitos sobre Tarcísio, Ratinho e Caiado
Leandro Cosentino avalia que, se Bolsonaro permanecer preso, poderá reduzir seu capital político, mas sem necessariamente afetar, no curto prazo, nomes como os dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do Paraná, Ratinho Jr. (PSD); e de Goiás, Ronaldo Caiado (União).
O cientista político observa, porém, que, a médio prazo, os governadores poderão se beneficiar da situação. “Esses nomes têm essa vantagem política não pela prisão, mas pelo decantamento do quadro e pelo fato de não haver uma liderança consolidada no grupo à direita. Eles podem herdar esse espólio nos próximos meses”, afirma.
Segundo ele, a tomada de decisão dos partidos também será influenciada pelo comportamento do eleitorado de Bolsonaro menos aguerrido. “Essas pessoas vão comprar a versão de perseguição política ou vão jogar o Bolsonaro ao mar e olhar para outros lados?”
Diante das adversidades, aliados de Bolsonaro negam que a prisão mudará o rumo da definição para o ano que vem e pregam união. “O efeito [da prisão] é nulo. A direita entende que isso só reforça a necessidade de união que nos levará à vitória em 2026”, disse à reportagem o senador Marcos Rogério (PL-RO).
A oposição também rejeita a ideia de que Bolsonaro será retirado das articulações eleitorais para o ano que vem: “Bolsonaro continua na chapa. Por si ou pelos seus”, afirma o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ).
Atualmente, Eduardo, Flávio e Michelle Bolsonaro são cotados como cabeça ou vice de uma chapa presidencial bolsonarista. “Cada um está num compasso diferente. Eduardo está fora do Brasil, e uma eventual condenação pode dificultar sua volta. Michelle e Flávio são outro caso. Me parece que, se fizerem uso político da prisão, podem obter resultados eleitorais”, analisa Cosentino.
Contato: naomi.matsui@estadao.com
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