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ONU/Palestina/Mahmoud Abbas pede que Trump cumpra plano: “Não vimos nenhuma promessa”

24 de setembro de 2026, às 13:50

Por Karla Spotorno, correspondente

Nova York, 24/09/2026 – Em vídeo gravado, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que cumpra o compromisso com os palestinos e países árabes. Há um ano, foi proposto um acordo de paz e que foi bem recebido pelo governo palestino.

“Não vimos nenhuma das promessas sendo cumpridas. As mortes e agressões cometidas por Israel continuam”, afirmou durante o debate geral na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi aplaudido pelas delegações presentes, segundo um participante na plenária. Os aplausos vieram, inclusive, dos americanos, que raramente reagem a discursos.

“Nosso povo é submetido a uma guerra genocida sem precedentes que destruiu escolas, mesquitas e igrejas, hospitais e vivemos um perigo ainda maior”, afirmou Abbas, pontuando que os ataques israelenses atingem cristãos, muçulmanos, ou seja, quaisquer minorias em Jerusalém Oriental.

O presidente da Autoridade Palestina reforçou que está em curso um processo capaz de dizimar o povo palestino. “Há um sistema baseado em discriminação racial e terrorismo que ameaça a sobrevivência do povo palestino”, afirmou, apontando que os palestinos estão sendo forçados a sair de sua terra natal por uma milícia colonialista. “Alertamos a todos a não permitir uma novo ‘nakba’, como 1948”, disse Abbas, referindo-se ao massacre que provocou o êxodo em massa de aproximadamente 750 mil palestinos no fim dos anos 40. Ele reiterou que a Autoridade Palestina não aceita o deslocamento e que não permitirá que ninguém decida o futuro em seu nome.

No vídeo, Abbas disse que o governo não quer um novo processo para gerenciar o conflito enquanto encara a perda diária de território. “Queremos um processo que ponha fim à ocupação e que garanta segurança e paz. Nossa visão para a paz é clara: um povo palestino em sua própria terra, determinando seu futuro por si mesmo, o Estado palestino ao lado do Estado de Israel, e uma paz palestino-israelense que abra caminho para a integração regional, cooperação, prosperidade e segurança para todos”, disse.

Abbas refutou o plano da União Europeia de fragmentar o território palestino, segregando a Cisjordânia em Norte e Sul. Por outro lado, afirmou que o governo apreciou a iniciativa do Reino Unido de aprovar sanções contra Israel. A medida tem como objetivo frear a ocupação territorial, repudiada pelo governo palestino, e, consequentemente, o banimento do povo e da cultura palestinos na Faixa de Gaza.

“É impossível separar as ações de Israel do desmantelamento das instituições palestinas e dos recursos financeiros do Estado palestino”, afirmou Abbas, exigindo que o governo israelense desbloqueie imediatamente US$ 6 bilhões que pertencem ao povo palestino e que encerre as restrições impostas ao país.

Pelo segundo ano consecutivo, Abbas não pôde fazer seu discurso presencialmente na plenária da assembleia geral da ONU porque o governo americano negou vistos para a delegação. Os EUA alegaram irregularidades, mas Abbas negou e repudiou a negativa de acesso, classificando-a como uma violação do dever do país-sede de permitir a entrada das autoridades.

Contato: karla.spotorno@estadao.com

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