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Lula: Eu poderia ter saído do Brasil, ter ido para embaixada, mas eu sou tinhoso, não desisto

3 de dezembro de 2025

Por Gabriel Hirabahasi

Brasília, 03/12/2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que poderia ter fugido do País antes de ser preso em 2018, mas que preferiu enfrentar seu processo no Brasil. Disse ser “tinhoso” e que aprendeu com sua mãe a “teimar”. Apesar de não citar nominalmente, a declaração faz referência à forma como bolsonaristas têm enfrentado as acusações das quais são alvos.

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso no dia 23 de novembro após aplicar uma solda em sua tornozeleira eletrônica, o que foi visto pelas autoridades como uma possível tentativa de fuga. O deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado no processo da trama golpista junto de Bolsonaro, fugiu para os Estados Unidos com sua família. A deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada pela tentativa de hackear o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por ter perseguido armada um homem às vésperas das eleições de 2022, fugiu para a Itália, onde acabou presa.

“Eu poderia ter saído do Brasil, ter ido para embaixada, mas eu sou tinhoso. Aprendi com a minha mãe a teimar. Fui para a Polícia Federal. Fiquei 580 dias lá, me ofereceram acordo para sair com tornozeleira, falei que não era pombo correio e não trocava minha liberdade pela minha dignidade. E cá estou, presidente da República pela terceira vez”, disse Lula nesta quarta-feira.

A declaração foi dada em cerimônia de entrega de carteiras nacionais de docentes e equipamentos do Programa Mais Professores, em Fortaleza (CE).

O presidente relembrou o período em que ficou preso em Curitiba (PR), na Polícia Federal. Afirmou que isso aconteceu porque alguns setores da sociedade queriam que ele “não pensasse em voltar a ser presidente” e que “contaram as maiores calúnias” a seu respeito.

O presidente também criticou a demora na adoção de políticas públicas no Brasil. “Quanto custou o atraso do analfabetismo no País? Quanto custou a esse país não ter feito reforma agrária quando o mundo inteiro fez depois da segunda guerra mundial? Quanto custou não ter feito universidades igual aos outros países do mundo?”, questionou.

Contato: gabriel.hirabahasi@broadcast.com.br

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