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30 de setembro de 2026, às 15:40
Por Eduardo Laguna e Wilian Miron
São Paulo, 30/09/2026 – A CEO do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, disse hoje que o marco legal do saneamento impulsionou os investimentos, mas que o País ainda está longe do patamar necessário para atingir a universalização dos serviços de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto.
Durante fórum sobre infraestrutura da Câmara Espanhola de Comércio no Brasil, ela salientou que o investimento médio anual passou de R$ 90 por habitante, em 2020, para R$ 137 atualmente. Ainda assim, ponderou, a meta é chegar a R$ 225 por ano por habitante.
Segundo Luana, o desafio agora é garantir ambiente regulatório estável e capacidade de fiscalização nos lugares onde já houve concessões e os aportes estão amarrados em contrato. A executiva defendeu o fortalecimento das agências reguladoras infranacionais como condição para assegurar previsibilidade ao setor e dar sustentação ao ciclo de investimentos. Ela também chamou a atenção para a necessidade de monitorar a eficiência na operação e a expansão dos serviços.
Ao mesmo tempo, Luana alertou para desigualdades relevantes entre Estados e municípios, com regiões onde o investimento permanece muito baixo e compromete o cumprimento do marco. “Há estados que investem 20 reais por ano para habitante em saneamento básico”, lembrou. “Como é que vai resolver?”, questionou.
Ela observou que, em parte desses casos, não se percebe prioridade política para alterar o quadro. Para Luana, a trajetória é de evolução, mas com a necessidade de “resgatar” os locais que continuam para trás nos serviços de saneamento.
Por fim, a CEO do Trata Brasil destacou que o setor de saneamento também passou a incorporar riscos adicionais associados às mudanças do clima, o que pressiona o planejamento e a execução dos projetos. “Temos eventos climáticos extremos em que as concessionárias estão tendo que se adaptar, com mitigação de risco”, declarou.
Contatos: eduardo.laguna@estadao.com; wilian.miron@estadao.com
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