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Fontes: Vorcaro não deve comparecer à CPI do INSS após Mendonça facultar presença no colegiado

20 de fevereiro de 2026

Por Vera Rosa, do Estadão

Brasília, 20/02/2026 – O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não deverá comparecer ao Senado, na segunda-feira, 23, para prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades nos descontos de aposentadorias do INSS.

A decisão foi tomada após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, novo relator do caso na Corte, afirmar que o banqueiro não é obrigado a depor na CPI, o que torna a presença de Vorcaro facultativa.

Nesta sexta-feira, 20, Mendonça devolveu à CPI o acesso a dados bancários, fiscais e telefônicos de Vorcaro. O ministro do STF Dias Toffoli, antigo relator do caso na Corte, havia decretado sigilo absoluto das informações, que ficaram sob a custódia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Agora, Alcolumbre terá de entregar à Polícia Federal todos os “elementos informativos oriundos da quebras de sigilo”, em meio físico ou digital. Em outra decisão, Mendonça negou o pedido da defesa de Vorcaro para que ele pudesse se deslocar a Brasília com tornozeleira eletrônica, em um jato particular – e não em voo comercial -, por medida de segurança.

Interlocutores de Vorcaro disseram ao Estadão/Broadcast Político, sob reserva, que o banqueiro não comparecerá à CPI, na segunda-feira, porque parlamentares vão querer transformar o depoimento dele em “circo” e “escada” para palanque eleitoral. Vorcaro só voltará atrás na decisão de se ausentar da CPI se algum fato novo ocorrer.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, o banqueiro só iria à CPI se fosse para falar “apenas” sobre a questão do crédito consignado que esta sendo investigada ali. Como Mendonça tornou o depoimento facultativo, ele não irá.

Vorcaro ainda avalia, no entanto, se comparecerá à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), na terça-feira, 24. No colegiado ele é convidado para discutir as operações irregulares que levaram à liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado. Assessores do banqueiro argumentam que na CAE há um ambiente “mais técnico”.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, disse que o colegiado não vai se ater a perguntas de assuntos que já estão sendo tratados pela CPI do INSS e quer saber quais as brechas que favoreceram as fraudes do Master.

Renan tem levantado suspeitas sobre as conexões de Vorcaro com o mundo político. “O Centrão quer esvaziar o nosso trabalho, mas não vai conseguir”, afirmou ele.

No ano passado, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP e um dos expoentes do Centrão, tentou, sem sucesso, elevar o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.

Candidato a novo mandato, Renan é adversário do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que neste ano também disputará uma vaga ao Senado. Lira e Ciro estão na lista dos alvos do senador no Centrão.

A CAE montou um grupo de trabalho para acompanhar especificamente o escândalo do Master e seus integrantes já conversaram, por exemplo, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Meirelles.

“A comissão atua permanentemente no acompanhamento e fiscalização do sistema financeiro nacional como um todo, inclusive nas suas fraturas, que favorecem fraudes como a do Master. Nosso trabalho fortalece, sem nenhum conflito, qualquer CPI que queira tratar dessas fraudes, punir responsáveis e aprimorar legislação”, destacou Renan.

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