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Fechamento câmbio: Dólar tem leve queda na contramão do exterior, mas segue acima de R$ 5,20

29 de setembro de 2026, às 17:50

Por Antonio Perez

São Paulo, 29/09/2026 – Após trocas de sinal ao longo da tarde, o dólar se firmou em leve baixa frente ao real nas últimas horas do pregão, em sintonia com a desaceleração da alta da moeda americana e do retorno dos Treasuries de longo prazo, na esteira de declarações mais amenas de um dirigente do Federal Reserve.

Apesar da expectativa pela realização do primeiro turno da eleição presidencial no próximo domingo, 4, a dinâmica da formação da taxa de câmbio parece ter sido ditada pelo exterior. Pela manhã, quando a maioria das divisas emergentes se apreciava, o dólar furou o piso de R$ 5,20, registrando mínima de R$ 5,1975. A virada para o campo positivo no início da tarde veio em meio às máximas da moeda lá fora, com pico de R$ 5,2416.

Com o alívio na reta final dos negócios, o dólar à vista terminou a sessão em baixa de 0,18%, a R$ 5,2170. A moeda americana acumula ganhos de 0,71% em setembro, depois de valorização de 2,16% em agosto. O real tem, contudo, perdas bem inferiores às de outras divisas latino-americanas no mês, o que é atribuído em grande parte à percepção de aumento das chances de vitória da oposição na disputa pelo Palácio do Planalto e, por tabela, de mudança da política fiscal.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, observa que, além da questão eleitoral, há movimentos técnicos típicos de fim de mês que adicionam volatilidade ao câmbio, como a rolagem de contratos no segmento futuro e a preparação para a disputa, amanhã, em torno da última formação da taxa Ptax de setembro.

“Estamos tentando nos descolar da tendência do dólar lá fora, mas sem muita convicção. O mercado já parece mais cauteloso à espera da eleição”, afirma Galhardo, que vê possibilidade de apreciação do real caso o presidente Lula termine o primeiro turno poucos pontos porcentuais à frente de Flávio. “Podemos ver o dólar se acomodar temporariamente nos R$ 5,10. Se Flávio for eleito, a taxa de câmbio deve ir para R$ 4,90, com um piso em R$ 4,50.”

Pela manhã, pesquisa Atlas/Bloomberg trouxe Lula com 45,3% contra 42,2% de Flávio em simulação de primeiro turno, o que configura um empate técnico. Já em um eventual segundo turno, o candidato do PL tem 47,7% das intenções de voto, ao passo que o petista aparece com 47,6%.

Lá fora, o índice DXY – referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes – subia cerca de 0,21% por volta das 17h, aos 101,410 pontos, após máxima aos 101,612 pontos. As taxas dos Treasuries longos reduziram o ritmo de alta, e o retorno da T-note de 2 anos virou para o negativo no fim da tarde, na esteira de comentários do presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, John Willians. Ele que afirmou que “não há urgência” em apertar a política monetária, embora veja mais uma alta de juros neste ano.

Os indicadores americanos divulgados pela manhã – abertura de postos de trabalho (relatório Jolts) em agosto e o índice de confiança do consumidor em setembro, pelo Conference Board – vieram abaixo das expectativas. Amanhã, sai o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) de agosto, medida de inflação preferida pelo Fed. Na sexta-feira, 2, é divulgado o relatório de emprego (payroll) de setembro.

“A leitura do Jolts veio um pouco abaixo das expectativas, mas o DXY não reagiu muito. O mercado aguarda indicadores de inflação e de atividade nos próximos dias, que têm potencial maior de movimentar as curvas de juros e o dólar”, afirma o especialista em câmbio Nicolas Gomes, da Manchester Investimentos.

Contato: antonio.perez@estadao.com

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