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9 de janeiro de 2026
Por Aguirre Talento, do Estadão
Brasília, 09/01/2026 – A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma petição ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), dizendo que ele não contratou influenciadores digitais para promover ataques virtuais ao Banco Central e outras instituições públicas.
Os advogados decidiram se antecipar a alguma medida tomada pela equipe de investigação, após reportagens terem mostrado uma ação orquestrada nas redes sociais para atacar a credibilidade de instituições que atuaram contra os interesses do Banco Master. Por isso, eles apresentaram explicações ao STF para negar o vínculo do banqueiro com as ações virtuais.
Nessa petição, eles disseram que a situação seria o contrário disso e relataram que Daniel Vorcaro tem sido alvo de uma “campanha difamatória” por meio de publicações em veículos de imprensa e redes sociais, que teriam se intensificado com a deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro em 17 de novembro – ele foi solto depois por ordem do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1).
A Polícia Federal já realiza uma análise preliminar sobre esse caso, para avaliar se há elementos que justifiquem a abertura de um inquérito para apurar os ataques virtuais ao BC e demais autoridades.
Na análise inicial que os investigadores estão realizando no telefone celular do banqueiro, apreendido em 17 de novembro no momento de sua prisão na Compliance Zero, foram encontrados diálogos dele ordenando a realização desse tipo de ação.
De acordo com fontes que tiveram conhecimento do assunto, Vorcaro repassava essas ordens a auxiliares, que não trabalham diretamente no quadro do Master. Ele pedia a promoção de informações positivas sobre o Master e determinava ataques virtuais a pessoas públicas que, na sua avaliação, estavam atuando contra seu banco.
As informações colhidas pela PF são anteriores à liquidação do banco Master pelo Banco Central em 18 de novembro, porque isso só ocorreu depois que o celular foi apreendido. Mas, na época, já havia alguns ataques virtuais ao BC por causa da demora na análise da venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), que foi vetada pelo órgão de fiscalização no inicio de setembro.
De acordo com essa análise preliminar, o modo de atuação de Vorcaro era semelhante aos ataques coordenados ao BC por causa da liquidação do Master, que ocorreram mais recentemente, na virada do ano.
Os contratos com influenciadores previam remuneração de até R$ 2 milhões, como informou o jornal O Globo. O Estadão mostrou contrato com as iniciais de Daniel Vorcaro (“Projeto DV”) e previsão de multa de R$ 800 mil para quebra do sigilo. Um dos envolvidos é administrador de empresas do jornalista de celebridades Leo Dias.
Conforme mostrou a Broadcast, instituições e personalidades envolvidas com a operação do Banco Master sofreram uma tentativa de assassinato de reputação nas redes sociais pouco antes da virada do ano. Uma série de postagens tentou colocar em xeque a credibilidade de órgãos públicos e privados, como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em relação à operação de liquidação extrajudicial do Master, decretada pelo BC no dia 18 de novembro do ano passado. A liquidação foi assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.
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