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30 de setembro de 2026, às 11:10
Washington, 30/09/2026 – Uma onda inédita de travessias de fronteira ao longo da última década transformou os Estados Unidos: milhões de pessoas chegaram, vindas de mais de 150 países, levando a população de imigrantes nos EUA aos níveis mais altos de todos os tempos. Agora, dados exclusivos obtidos pela Associated Press traçam um panorama de quem são esses migrantes, para onde foram, e o que aconteceu do outro lado da fronteira.
Alguns foram para cidades que há muito tempo atraem imigrantes – Nova York ou Miami – mas cada vez mais, outros encontram o caminho das cidades menores, com redutos de imigrantes menos consolidados. Quarteirões, bairros e cidades inteiras foram transformados, em lugares como Elkhart, no estado de Indiana; Knoxville, no Tennessee; e Dodge City, no Kansas.
E enquanto a grande maioria dos migrantes tradicionalmente vinha do México, essa onda trouxe pessoas de uma diversidade impressionante de países, como Índia, Equador e Gana.
Por meio de uma solicitação através da Lei de Liberdade de Informação dos EUA, a AP obteve registros federais sobre os destinos informados pelos 4,5 milhões de migrantes que entraram no país após atravessarem a fronteira com o México – de forma regular ou não – entre outubro de 2018 e julho de 2025.
Os migrantes precisam fornecer à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos um endereço residencial. A AP obteve o código postal de seus destinos, a cidadania por país, as idades, gêneros e as datas e regiões da fronteira onde encontraram as autoridades.
Alguns talvez nunca tenham chegado ao endereço que forneceram. As autoridades não tinham recursos para conferir, embora os migrantes precisem dar informações verídicas para conseguirem progredir com seus casos na justiça e obter vistos de trabalho. Alguns se mudaram para outras partes dos EUA, ou foram embora do país, voluntária ou involuntariamente. Mas muitos permaneceram no lugar.
Os dados sobre seus destinos iniciais ao atravessarem a fronteira sul fornecem uma visão ao mesmo tempo abrangente e excepcionalmente detalhada sobre como a onda de imigração – a mesma que chegou ao pico durante o governo de Joe Biden e foi uma das grandes razões para os eleitores levarem seu antecessor, Donald Trump, de volta à Casa Branca – está se desenrolando atualmente.
Os dados levam a algumas conclusões principais.
Filadélfia, Cincinnati e outras cidades atraíram migrantes de vários continentes
A Patrulha de Fronteira encontrou migrantes de 174 países em um único ano, uma grande diferença em relação a períodos anteriores, quando quase todos vinham do México ou da América Central. O crescimento das redes sociais e de novas rotas de migração foi o ponto central para atrair pessoas do mundo inteiro. Em Cincinnati, por exemplo, chegaram muitos migrantes de países da África Ocidental, do Uzbequistão e da Índia.
Algumas cidades – que há gerações já possuem comunidades internacionais robustas – se tornaram ainda mais diversas com a variedade de países de origem dos recém-chegados.
O bairro do Queens, na cidade de Nova York, registrou chegadas relevantes de pelo menos 25 nacionalidades, sendo que mais de 7 mil pessoas vieram de cada um de cinco países: Equador, China, Colômbia, Venezuela e Índia.
Na Filadélfia, foram 11 nacionalidades com pelo menos mil recém-chegados, lideradas por Brasil, Haiti e República Dominicana, mas incluindo também Rússia e Venezuela. Também chegaram à região metropolitana da cidade mais de mil migrantes da Geórgia.
Flórida continua no topo, mas muitos buscaram outros lugares
Embora a Flórida tenha sido o estado mais procurado no geral, os imigrantes da América Latina estão cada vez mais procurando em outros lugares, com perspectivas melhores de trabalho e qualidade de vida. Muitos escolheram lugares com comunidades pequenas, mas bem estabelecidas, de migrantes de seus países de origem.
Para os cubanos, nove dos dez principais códigos postais de destino estavam na Flórida, mas pessoas do país caribenho também se dirigiram a Louisville, no Kentucky; Grand Island, em Nebraska; e Odessa, no Texas. Colombianos foram para Aurora, subúrbio da cidade de Denver, no Colorado. Paterson, em Nova Jersey, foi a principal escolha dos peruanos. Alguns venezuelanos se dirigiram aos subúrbios em expansão ao sul de Salt Lake City, em Utah; outros, para bolsões em Atlanta, no estado da Geórgia; Chicago, em Illinois; e Denver.
Entraram nos EUA mais mulheres e crianças do que homens
Quase seis em cada dez migrantes liberados na fronteira eram mulheres e crianças, uma mudança drástica em relação a alguns anos atrás, quando os migrantes eram principalmente homens.
A mudança é perceptível em muitos lugares, e em várias nacionalidades, mas alguns se destacam. Tulsa, no estado de Oklahoma, atraiu mulheres e crianças mexicanas. Mulheres e crianças equatorianas foram para Spring Valley, no estado de Nova York. Mulheres da Guatelama foram atraídas para Chattanooga, no Tennessee.
Migrantes vindos da China foram para dois lugares principais
Os migrantes chineses, que caminhavam às centenas durante a noite na fronteira montanhosa entre a Califórnia e o México, se concentraram em grande parte em dois lugares: a cidade de Nova York, especialmente os bairros do Queens e do Brooklyn, e alguns bairros na região de Los Angeles.
Máquina de deportação de Trump atingiu alguns polos de migrantes e ignorou outros
As operações de prisão de imigrantes atingiram áreas que estiveram entre os destinos preferenciais nos últimos anos, como Miami e Nova York. Outras, que também receberam um grande fluxo de migrantes, não atraíram tanta atenção das autoridades, como o Vale do Silício, na Califórnia; Madison, em Wisconsin; e Stamford, em Connecticut. Fonte: Associated Press.
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