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Estados em Pauta: Tarcísio faz balanço e fala da ‘resistência à urbanização’ da favela do Moinho

18 de dezembro de 2025

Por Geovani Bucci

São Paulo, 18/12/2025 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a abordar a remoção das famílias que vivem na Favela do Moinho, no centro da capital paulista – tema de atrito com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – durante balanço de sua gestão em 2025 nesta quinta-feira, 18, no Palácio dos Bandeirantes. Na avaliação do governador, há resistência injustificada à urbanização da área.

“Temos o maior programa habitacional da história de São Paulo. Tivemos coragem de enfrentar o que ninguém quis enfrentar na questão da Favela do Moinho”, afirmou. Segundo Tarcísio, os moradores da comunidade vivem “sem dignidade”, “escravizados” pelo crime organizado. “Como alguém pode ser contra a reurbanização do Moinho?”, questionou.

O governador reiterou que o projeto prevê a implantação do Parque do Moinho e de uma nova estação de trem: a futura Estação Bom Retiro. A favela está situada entre linhas férreas, em área murada, com apenas um acesso e baixa capacidade de escoamento. Nos últimos dez anos, o local registrou incêndios de grandes proporções, que deixaram mortos e centenas de desabrigados.

Lula visitou a comunidade em junho deste ano e reclamou da ausência de Tarcísio no evento. Na data, o governador cumpria outra agenda, uma entrega de 120 apartamentos em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

A área pertence à União, que suspendeu a cessão do terreno após denúncias de violência no processo de desapropriação. Pelo acordo, o governo federal se compromete a investir R$ 180 mil por moradia via programa Minha Casa, Minha Vida, valor que se soma à contrapartida de R$ 70 mil do governo estadual pelo programa Casa Paulista, totalizando R$ 250 mil por unidade.

O Planalto condicionou a manutenção do acordo ao encerramento de ações consideradas violentas da Polícia Militar (PM) na região. A interrupção da cessão foi justificada pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) com críticas às desapropriações, demolições e à atuação policial. As ações policiais foram comemoradas por Tarcísio e o prefeito da cidade, Ricardo Nunes (MDB).

A cessão foi homologada pelo governo federal em junho, e o governador formalizou a autorização em outubro. A transferência do terreno foi oficializada por prazo de 20 anos.

Contato: geovani.bucci@estadao.com

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