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Em novembro, preço do minério de ferro recua levemente, mas se mantém em nível elevado

28 de novembro de 2025

Por Ana Paula Machado

São Paulo, 28/11/2025 – Novembro, assim como o ano, foi marcado pela resiliência do preço do minério de ferro. O mês, sazonalmente, é caracterizado pela formação de estoques nas siderúrgicas chinesas que se preparam para o feriado do Ano Novo chinês, que dura mais de uma semana. Até o dia 27, o estoque formado nos portos chineses somava 134 milhões de toneladas, uma alta de 2,7%. Com isso, a demanda pela commodity aumentou e sustentou a cotação da principal matéria-prima do aço em patamares elevados, acima de US$ 100 a tonelada.

O contrato futuro negociado na bolsa de Dalian, na China, fechou a US$ 112,13 a tonelada, ante US$ 112,50 em outubro, uma leve queda de 0,33%. Já o preço à vista (spot) foi de US$ 106 a tonelada, um recuo de 1,3% em relação ao mês anterior, quando chegou a US$ 107,40/tonelada.

Para Igor Guedes, analista de mineração e siderurgia da Genial Investimentos, esse nível do preço do minério de ferro, acima de US$ 105 a tonelada, pode ser explicado pelo movimento especulativo que dominou as atenções do mercado ao longo do ano. Segundo ele, se fossem considerados os fundamentos de demanda e oferta, a cotação não estaria nesses patamares. Isso porque a demanda na China está menor e, do lado da oferta, há a entrada de algumas toneladas no sistema com o início da operação da mina de Simandou, na Guiné, este mês. Em pleno funcionamento, o complexo poderá produzir 120 milhões de toneladas.

“Em outubro, vimos uma produção de aço bruto de 72 milhões de toneladas, uma queda de 12% ano contra ano, e em ferro gusa o recuo foi de 8%, com a produção chegando a 66 milhões de toneladas. Além disso, a taxa de utilização dos altos-fornos vem caindo em novembro. Na última semana, chegou a 88,6%. No mês passado, ficou em 89,9%”, disse Guedes.

Esse comportamento, segundo Daniel Sasson, analista de mineração e siderurgia do Itaú BBA, mostra o quão resiliente está o minério de ferro neste ano. Em novembro, a média ficou muito semelhante à de outubro, em torno de US$ 105 a tonelada. “Os níveis continuam super saudáveis.” “O preço até chegou a dar uma caidinha ali para US$103 em algum momento ao longo do mês, mas a média de novembro de US$104,80 ficou muito parecida com a média de outubro de US$105,80”, disse Sasson.

Para ele, as cotações do minério de ferro devem continuar “saudáveis” até o fim deste ano. “A nossa estimativa de preço médio para este ano é de cerca de US$ 103 a tonelada e, para 2026, algo ao redor de US$ 100/tonelada com a entrada mais efetiva de Simandou.”

Guedes, da Genial, ressalta que a China teve de se reinventar para sustentar a produção siderúrgica em níveis elevados, mesmo com a queda estimada para este ano, o que, por consequência, dá fôlego para o minério de ferro acima de US$ 100 a tonelada. “Com o mercado imobiliário mais fraco no país, alternativas foram surgindo para manter a operação dos altos-fornos. Antes, o mercado olhava o ritmo de construções residenciais para acompanhar a demanda siderúrgica. Agora, o mais importante é o volume de exportação e os dados industriais.”

O Itaú BBA também acredita que a participação do mercado imobiliário na produção siderúrgica na China desacelerou e, atualmente, a infraestrutura consome 25% do aço produzido. “Nossa estimativa hoje é em exportação uns 10% a 15%, construção uns 20%, infraestrutura 25%, automotivo entre 5% e 10% e indústria cerca de 35%”, disse Sasson. “O setor imobiliário já vem fraco há algum tempo. A boa noticia é que ele hoje representa menos do consumo de aço doméstico do que representava cinco anos atrás.”

Para Ricardo Viana, especialista no mercado, o ano e o mês só não foram piores para os preços do minério de ferro porque a China se voltou para a exportação a fim de compensar a queda do consumo de aço pelo setor imobiliário. “Não foi um ano de margens boas para as siderúrgicas, pois os volumes estão baixos, salvo o setor industrial e a exportação, o peso de construção jogou o consumo interno de produtos siderúrgicos para baixo.”

Contato: ana.machado@estadao.com

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