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Em Box, BC diz que impacto indireto da alta do petróleo na inflação é tão relevante quanto direto

24 de setembro de 2026, às 08:50

Por Marianna Gualter, Mateus Maia e Célia Froufe

Brasília, 24/09/2026 – Estimativas sugerem que o impacto indireto da alta internacional do preço do petróleo sobre a inflação pode ser tão relevante quanto o direto, embora sua mensuração seja mais difícil, segundo o Banco Central. No Box “Choque nos preços de petróleo e derivados: evidências de efeitos primários na inflação brasileira”, divulgado há pouco pela instituição junto com o Relatório de Política Monetária, o BC enfatiza que, apesar da reversão parcial de alguns preços, persistem riscos de repasse para a inflação no curto prazo.

Em geral, o documento discute os impactos primários do recente aumento dos preços internacionais do petróleo e derivados, associado ao conflito no Oriente Médio. Além do efeito direto sobre os combustíveis consumidos pelas famílias, o BC identificou que o choque elevou custos em diversas cadeias produtivas, afetando derivados de petróleo, produtos químicos, produtos plásticos, fertilizantes e outros segmentos.

Com auxílio de gráficos, o estudo mostra que, desde o pico do choque, os preços da ureia, que haviam subido 50% entre fevereiro e abril, retornaram a patamares próximos aos observados antes do conflito. Entre junho e agosto, também houve alguma reversão nos preços dos derivados e de produtos de cadeias mais dependentes de insumos petroquímicos.

“Esse movimento sugere que o repasse do choque nos elos iniciais das cadeias produtivas pode estar próximo de se completar. Ainda assim, permanecem riscos relevantes de repasse para a inflação no curto prazo”, alertou o estudo, lembrando que a retomada recente do conflito no Oriente Médio foi acompanhada por nova alta das cotações do petróleo.

Além disso, o BC pontuou que os crack spreads da gasolina e do diesel seguem elevados, e os preços dos fertilizantes fosfatados, dependentes do enxofre como insumo, continuam pressionados. “A evolução das desonerações e subvenções ao diesel e à gasolina também é fonte relevante de incerteza para os preços ao consumidor desses combustíveis.”

Por fim, o box salienta que sondagens empresariais ainda apontam pressão de custos, enquanto as defasagens inerentes à transmissão por cadeias produtivas mais longas sugerem que parte dos efeitos primários do choque ainda pode ser repassada aos preços ao consumidor.

Contato: marianna.gualter@broadcast.com.br, mateus.maia@broadcast.com.br e celia.froufe@broadcast.com.br

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