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28 de setembro de 2026, às 12:20
Por Ana Paula Machado e Luciana Collet
São Paulo, 24/09/2026 – As distribuidoras de energia elétrica estão reforçando e antecipando ações preventivas e operacionais típicas do período de verão, como forma de melhor se preparar para os impactos dos eventos climáticos mais severos associados ao fenômeno El Niño.
A Enel São Paulo, por exemplo, investiu na ampliação da frota e das equipes de atendimento, iniciativas que estavam previstas para serem realizadas até fevereiro. A EDP, que opera distribuidoras no Espírito Santo e em parte do Estado de São Paulo, antecipou a execução do Plano Verão 2026/2027, com uma série de ações para fortalecer a resiliência das redes e garantir agilidade no atendimento. A CPFL Energia avalia as experiências anteriores, como a atuação após recente tempestade na região de Ribeirão Preto (SP), para aprimorar seu plano de contingência. Já a Equatorial aposta na inteligência meteorológica para orientar as operações.
O diretor de operações da Enel São Paulo, Márcio Jardim, disse à Broadcast que ações que seriam realizadas em fevereiro próximo foram feitas agora, em setembro. “Independente do El Niño, os investimentos seguem fortes na resiliência, no plano de manutenção da rede. É claro que com um evento como esse, acabamos antecipando algumas medidas, mas é algo que já estava em nosso plano e incrementamos em algumas questões adicionais”, disse o executivo, citando que a concessionária investiu R$ 10,4 bilhões, desde 2023, na resiliência da rede para suportar eventos extremos. Ele não detalhou quanto será aplicado neste ano na antecipação do plano verão.
Reforço
Entre as principais medidas anunciadas pela Enel SP estão iniciativas que a concessionária vem adotando desde ao ano passado, como a ampliação do número de bases operacionais, a contratação de mais profissionais e a incorporação de novos veículos à frota, além de investimentos na rede. Segundo a empresa, em 2026 serão instalados mais 2,3 mil equipamentos de telecontrole e 3,3 mil religadores automáticos. A distribuidora também destacou a ampliação da comunicação via satélite Starlink, de forma a permitir a manutenção da conexão com os centros de operação mesmo se as redes móveis forem afetadas.
Na CPFL, que opera distribuidoras no Rio Grande do Sul e em São Paulo, os trabalhos para o fortalecimento e automação da rede iniciaram por volta de 2017, tendo em vista o histórico da concessionária gaúcha de maior frequência de tempestades. O vice-presidente de Operações Reguladas do grupo, Luís Henrique Ferreira Pinto, explicou que o plano de contingência é aprimorado rotineiramente, a partir dos aprendizados de diferentes eventos. Na enchente de 2024 no Rio Grande do Sul, por exemplo, a companhia traçou estratégia de comunicação independente da rede móvel local, pois o alagamento afetou a rede de telefonia móvel.
Mais recentemente, a empresa enfrentou tempestade na região de Ribeirão Preto (SP), com ventos de 166 km/h, que resultou na derrubada de 58 torres da concessionária. Segundo executivo, essa situação levou a empresa a repensar seus estoques e sua logística para atendimento de emergência e “subir o sarrafo”, com um aumento de até 30% nos estoques de reserva técnica, de equipamentos de subestações, linhas de transmissão, torres e postes.
Em outra frente, a empresa está construindo uma rede de telecomunicação própria para ter maior confiabilidade na automação e tem ampliado o contrato de geradores emergenciais, com uma redistribuição nas áreas de concessão, de forma a agilizar o uso em caso de necessidade.
Previsão do Tempo
No Grupo Equatorial, o planejamento das operações no próximo verão incorporou projeções climáticas a partir da parceria que mantém com a Climatempo em suas sete distribuidoras – Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Goiás, Amapá e Rio Grande do Sul – para acompanhar a evolução dos cenários de risco e apoiar o planejamento das equipes e dos recursos necessários para cada situação.
“A partir dessas informações, combinadas às análises técnicas e operacionais específicas de cada distribuidora, a companhia realiza inspeções preventivas, revisa os planos de contingência e planeja antecipadamente equipes, equipamentos e materiais. A identificação de regiões e ativos mais expostos permite direcionar os recursos de acordo com os riscos previstos e os diferentes níveis de severidade”, disse o diretor de Engenharia da Equatorial, André Barata.
Ele também destacou o papel da tecnologia, como uma solução desenvolvida pela empresa que utiliza modelos de machine learning para cruzar registros de instabilidades climáticas com dados da rede elétrica e antecipar possíveis impactos sobre a infraestrutura. “O Grupo Equatorial investe, em média, mais de R$ 400 milhões por ano em iniciativas de inovação, incluindo pesquisa, desenvolvimento, novas tecnologias, transformação digital e modernização das operações. Parte desses investimentos contribui diretamente para ampliar a capacidade de monitoramento e resposta diante de eventos climáticos extremos”, afirmou.
Na EDP, o Plano Verão 2026/2027 também reuniu estratégias voltadas à prevenção, monitoramento e resposta rápida a ocorrências provocadas por eventos climáticos severos. “O cenário climático exige planejamento, preparação e capacidade de adaptação. Com a perspectiva de um verão influenciado pelo El Niño, estamos investindo em tecnologia, modernização da rede, capacitação de equipes e ações preventivas em toda a área de concessão para garantir um fornecimento de energia mais seguro, confiável e de qualidade para a população capixaba”, disse o diretor-presidente de distribuição da EDP, Dyogenes Rosi.
Contato: ana.machado@estadao.com e luciana.collet@estadao.com
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