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30 de setembro de 2026, às 00:20
Por Redação, do Estadão
São Paulo, 30/09/2026 – No último debate antes da votação de domingo, Sergio Moro (PL) virou o principal alvo dos adversários na disputa pelo governo do Paraná. Em uma noite marcada pela nacionalização da campanha, o senador trocou farpas sobretudo com Sandro Alex (PSD) e foi cobrado também por Requião Filho (PDT) em discussões que envolveram Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair e Flávio Bolsonaro, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master.
Logo nos primeiros minutos, Moro e Sandro protagonizaram troca de acusações. O senador acusou o adversário de divulgar “fake news”, reafirmou seu apoio a Flávio Bolsonaro e tentou associar o candidato do PSD a Lula. Ao explorar a tentativa de Sandro de vincular sua campanha ao governador Ratinho Junior, principal apoiador de sua candidatura, disparou: “Você não é Ratinho Junior”.
Sandro respondeu explorando o rompimento de Moro com o governo Jair Bolsonaro e o questionou sobre um suposto voto favorável à indicação de Flávio Dino ao STF. Moro negou e afirmou ter votado também contra Cristiano Zanin e Jorge Messias. Alex ainda cobrou o adversário sobre os pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. “Por que você não cobrou Davi Alcolumbre sobre os pedidos de impeachment?”, questionou. O embate levou os dois candidatos a pedirem direito de resposta.
A atuação de Sandro como ex-secretário de Infraestrutura também entrou no confronto. Moro questionou a prioridade dada à PR-415 e relacionou a obra ao resort Tayayá, citando as ligações do empreendimento com a família do ministro Dias Toffoli e o caso Banco Master. Sandro classificou a acusação como mentira.
Requião Filho, por sua vez, questionou Moro sobre a relação com um eventual novo governo Lula e, ao abordar políticas de combate à violência contra a mulher, voltou a citar Flávio e Jair Bolsonaro. “Nós temos aqui o discurso de proteção à mulher. Mas o candidato a presidente do Sergio Moro diz que mulher não sabe votar e não deveria votar. O pai desse candidato falou que teve uma filha mulher no momento de uma fraquejada. Isso, para mim, não é respeito com a mulher”, afirmou.
A corrupção passou ao centro do confronto no segundo bloco. Requião questionou a filiação de Moro ao PL, comandado por Valdemar Costa Neto. Moro respondeu que o dirigente partidário não teria espaço em um eventual governo seu no Paraná. “O Valdemar não vai governar o Paraná, eu vou governar o Paraná”, afirmou.
Moro então levou o embate para a CPMI do INSS e citou a quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. “Nós identificamos, sabe o que, Requião? Indícios suspeitos de Lulinha está envolvido nesse escândalo do roubo dos aposentados”, disse. Requião rebateu destacando denúncias que apresentou como deputado estadual e criticou a proposta do adversário de criar uma agência estadual anticorrupção. “No combate à corrupção, tem a prática e tem o discurso”, afirmou.
Ainda no segundo bloco, Sandro voltou à atuação de Moro como juiz da Lava Jato e às condenações de Lula posteriormente anuladas pelo STF. O candidato do PSD afirmou que haveria duas possibilidades: ou o trabalho de Moro teria sido “incompetente”, ou Lula seria inocente e o então juiz não teria conseguido provar o contrário. Moro rebateu dizendo que Lula “jamais foi inocentado pelos tribunais” e atribuiu a anulação das condenações a uma “reviravolta política” no combate à corrupção.
No terceiro bloco, um questionamento de Sandro Alex sobre obras voltou a levar o debate ao caso Banco Master. Ao responder sobre infraestrutura, Moro questionou a autorização para a atuação da Credcesta no Paraná e tentou relacioná-la ao banqueiro Daniel Vorcaro. “Você pode me explicar essa resolução e a atuação da Credcesta do Vorcaro aqui no Estado do Paraná?”, perguntou.
Sandro rebateu afirmando que “não há nenhuma investigação” envolvendo o governo estadual. Na sequência, o senador retomou as críticas à gestão de Sandro na Infraestrutura e afirmou que ele seria lembrado como “secretário do pedágio alto” no Estado.
Ainda no terceiro bloco, o confronto entre Moro e Requião Filho voltou a temas estaduais, com discussões sobre Copel, Sanepar, funcionalismo público e educação. Moro afirmou ser favorável à privatização da Copel, empresa de energia do Paraná, mas criticou a qualidade do serviço prestado após a privatização e cobrou propostas para a Sanepar, companhia de saneamento do Estado. Requião rebateu dizendo que as empresas passaram a priorizar o lucro dos acionistas em detrimento do interesse público.
“Eu fico feliz que a Copel e a Sanepar tenham entrado no radar da direita”, ironizou. Os dois também defenderam a valorização de professores e policiais e a ampliação do ensino técnico.
A disputa ocorre sob forte influência do governador Ratinho Junior (PSD), cuja gestão é aprovada por 79% dos eleitores, de acordo com a Quaest. Ex-secretário de Infraestrutura do Estado, Sandro Alex se apresenta como candidato da continuidade e conta com o apoio direto do governador. Requião Filho, deputado estadual, tenta ocupar o espaço de principal oposição ao atual modelo, sobretudo nas críticas à privatização da Copel e à política educacional, e conta com o apoio de Lula e do PT no Estado.
Já Sergio Moro, senador pelo Paraná, busca sustentar a liderança nas pesquisas com uma campanha centrada em segurança pública e combate à corrupção e, na disputa nacional, está alinhado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). “Não farei isso”,
Na mais recente pesquisa Quaest sobre a eleição paranaense, divulgada em 24 de setembro, Moro aparece com 36% das intenções de voto. Requião Filho e Sandro Alex têm 20% cada e estão empatados na segunda colocação.
O cenário também mostra avanço de Sandro Alex na reta final da campanha. Na rodada anterior da Quaest, divulgada em agosto, Moro tinha 37%, Requião Filho aparecia com 21% e Sandro registrava 15%. Em julho, Sandro tinha 7%, contra 18% de Requião e 39% de Moro.
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