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COP30/Exclusivo: Incentivamos o agro a se afastar do desmatamento, diz CEO global do Rabobank

11 de novembro de 2025

Por André Marinho

São Paulo, 11/11/2025 – Um dos principais nomes do crédito no agronegócio, o Rabobank quer continuar a expansão pelo Brasil sem abrir mão dos compromissos de sustentabilidade firmados globalmente. O esforço esbarra na complexa estrutura regulatória do País, que combate a degradação ilegal, mas ainda prevê uma parcela de desmatamento legal.

Em rápida passagem por São Paulo antes de embarcar para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, o CEO global do banco holandês, Stefaan Decraene, explicou que a instituição financeira mantém tolerância zero com o desmate ilegal. Já com os clientes que exploram licenças permitidas para destruir as florestas, a aposta é em uma combinação de diálogo e incentivos financeiros para convencê-los a preservar ecossistemas.

“Uma das opções seria abandonar todos os clientes que ainda desmatam legalmente. Eles encontrariam outro banco no dia seguinte”, reconheceu Decraene, em entrevista exclusiva à Broadcast. “Não foi essa opção que escolhemos: preferimos encontrar maneira de convencê-los a fazer diferente”, acrescentou.

Segundo ele, o arsenal financeiro para facilitar a persuasão inclui alternativas de empréstimos sustentáveis a juros mais acessíveis e linhas de crédito favoráveis. Entre as iniciativas, o Rabobank oferece condições de longo prazo especiais para fazendeiros que comprem terras já degradadas, ao invés de converter novas áreas, através do fundo AGRI3, criado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep).

Para os produtores que precisam restaurar áreas degradadas ou adquirir reservas legais, o banco dispõe de uma linha de 20 anos para ajudá-lo a se adequar às normas do Código Florestal. “Como um banco cooperativo, podemos devolver algo para a sociedade, então vamos investir em projetos de reflorestamento”, prometeu Decraene.

Foco no combate ao desmate ilegal

A exploração de combustíveis fósseis segue como a principal fonte de liberação de C02 na atmosfera do planeta. No ano passado, porém, o desmatamento e as mudanças no uso da terra exerceram papel decisivo no crescimento das emissões, de acordo com relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A estimativa é de que as emissões líquidas provenientes desse tipo de atividade cresceram 21% em 2024, responsáveis por mais da metade do aumento total, segundo a entidade.

O movimento reforça a importância do Brasil no cumprimento da principal meta estabelecida, há 10 anos, no Acordo de Paris – limitar o aumento da temperatura global a menos de 2 °C ante os níveis pré-industriais, preferencialmente abaixo de 1,5 °C. “Como sociedade, temos que focar em ajudar o Brasil a resolver o problema do desmatamento ilegal”, defende a CEO do Rabobank no País, Fabiana Alves.

O banco promove programas de capacitação e financiamento responsável, além de incentivar o desenvolvimento da agricultura regenerativa, modelo que visa garantir a saúde do solo e a recuperação dos ecossistemas. Globalmente, o banco almeja ampliar o volume de financiamento sustentável para 75 bilhões de euros, de 40 bilhões de euros no final do ano passado. Do lado da captação, a meta é ter um funding verde de 20 bilhões de euros, de 13 bilhões de euros em dezembro de 2024.

Nesse processo, o Brasil tem se firmado referência em soluções de desenvolvimento sustentável na agricultura, na visão de Stefaan Decraene, o CEO global. “Fazendeiros de outros países têm vindo aqui para ver como as coisas são feitas”, diz. “Este país é tier 1 [nível 1] na questão da sustentabilidade”.

Contato: andre.marinho@estadao.com

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