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2 de fevereiro de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 02/02/2026 – As chuvas registradas em janeiro foram suficientes para manter a umidade do solo e favorecer o desenvolvimento das lavouras de primeira safra em grande parte do País, segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados indicam índices de vegetação acima da média histórica em diversas áreas monitoradas, refletindo o desempenho das lavouras em fases relevantes do ciclo produtivo e criando condições para a continuidade do desenvolvimento nas próximas semanas. O cenário climático também sustentou o avanço do plantio do milho segunda safra nas principais regiões produtoras.
As chuvas foram influenciadas pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) entre 1º e 24 de janeiro, contribuindo para o armazenamento hídrico do solo em uma faixa que se estende do Amazonas ao Centro-Oeste e ao Sudeste, além de áreas em Rondônia, Pará e Tocantins. Em Mato Grosso do Sul, parte de São Paulo, Região Sul e Matopiba (Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia), os volumes foram menores, mas suficientes para o desenvolvimento das lavouras na maioria das áreas. No Semiárido do Nordeste, os acumulados foram menos expressivos, mas permitiram o início da semeadura em algumas áreas ao final do período.
O monitoramento por imagens de satélite mostra que o índice de vegetação evoluiu acima da média histórica em todas as regiões produtoras, superando a safra anterior nos momentos críticos de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Diferenças mais expressivas foram observadas no sudoeste de Mato Grosso do Sul, no oeste catarinense e no Rio Grande do Sul, em função do impacto da restrição hídrica em safras passadas. Em algumas regiões, houve deslocamento da curva da safra atual em razão de atrasos na semeadura e no desenvolvimento inicial das lavouras, associados às instabilidades climáticas no começo do ciclo.
No Centro-Oeste e no Sudeste, os corredores de umidade formados pela ZCAS no início e no final do período favoreceram volumes elevados de chuva em áreas de Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. As condições de umidade e temperatura sustentaram o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra, majoritariamente em estádios reprodutivos, e o início da implantação da segunda safra. Em Mato Grosso, onde os cultivos estão mais adiantados, o excesso de chuvas pode ter imposto restrições pontuais às atividades de maturação e colheita, fator que seguirá no radar nas próximas semanas.
Na Região Sul, os volumes de chuva foram menores, mas suficientes para sustentar o desenvolvimento das lavouras na maior parte das áreas. O índice de vegetação evoluiu acima da média histórica e próximo ao da safra anterior nos momentos críticos. No Paraná, a redução das precipitações favoreceu o início da colheita da soja e o plantio do milho segunda safra. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, as baixas temperaturas no início do ciclo provocaram leve atraso no crescimento do índice de vegetação, mas, na sequência, houve recuperação, com evolução acima da média histórica.
No Matopiba, o índice de vegetação indica condições favoráveis de desenvolvimento, com evolução semelhante à da safra passada. As oscilações observadas em dezembro e janeiro foram associadas à irregularidade das chuvas, mas houve recuperação com a maior estabilidade climática. No Nordeste, as precipitações se concentraram no início do mês no oeste e centro-sul da Bahia e em áreas do sudoeste e sudeste do Piauí. Entre 9 e 16 de janeiro, a ausência de chuvas restringiu a semeadura em parte da região, especialmente no Piauí, enquanto a melhora na distribuição das precipitações na segunda metade do mês permitiu o início do plantio em áreas do Semiárido.
Na Região Norte, as chuvas foram frequentes e ampliaram sua distribuição espacial, abrangendo as principais áreas produtoras. Eventuais restrições provocadas pela irregularidade das precipitações na semeadura e no início do desenvolvimento da soja em Santarém e Paragominas, no Pará, foram mitigadas pela intensificação das chuvas no fim do período. As temperaturas máximas não se elevaram de forma significativa, mantendo estável o armazenamento hídrico no solo.
O plantio do milho segunda safra avançou em Mato Grosso, acompanhando o ritmo da colheita da soja, mesmo com excessos pluviométricos. No Paraná, a redução das chuvas favoreceu as operações em campo. Nos demais Estados, a semeadura ainda ocorre de forma incipiente, principalmente em áreas de pivô central, após a colheita da soja. Em Goiás e Minas Gerais, o plantio foi iniciado em áreas recém-colhidas. No Tocantins, a implantação avança tanto em áreas irrigadas quanto de sequeiro. No Pará, as primeiras lavouras começaram a ser plantadas nos polos da BR-163 e de Redenção, enquanto em Rondônia a semeadura já ocorre, com áreas nos estádios iniciais de desenvolvimento.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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