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19 de dezembro de 2025
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 19/12/2025 – O Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia da soja e do biodiesel pode crescer 11,66% em 2025, segundo nova estimativa divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A projeção representa uma revisão positiva de 0,37 ponto porcentual em relação ao relatório anterior, “refletindo o avanço da agroindústria e seu impacto positivo sobre os agrosserviços da cadeia”. Com esse desempenho, o setor deve responder por 23% do PIB do agronegócio brasileiro e 5,7% do PIB nacional.
A colheita de uma safra recorde de soja em 2024/25 e a intensificação do processamento do grão pela indústria sustentam a previsão de forte alta do PIB da cadeia em 2025. No segmento de esmagamento, o resultado ficou em linha com a melhora das perspectivas indicada pela Abiove. No biodiesel, o avanço foi impulsionado pela aceleração da produção observada no terceiro trimestre, associada à entrada em vigor da mistura obrigatória de 15% (B15), em 1º de agosto.
Apesar do crescimento do PIB, os pesquisadores do Cepea/Abiove observam deterioração nos preços relativos da cadeia ao longo do terceiro trimestre. “Com novas quedas de preços no terceiro trimestre, a variação dos preços relativos tornou-se negativa para a cadeia produtiva”, apontam. Entre janeiro e setembro de 2024 e o mesmo período de 2025, os preços da cadeia recuaram 7,27%, piora em relação à estimativa anterior, que indicava estabilidade. Segundo o estudo, essa deterioração decorreu das fortes elevações de preços observadas no terceiro trimestre de 2024, “caracterizando, portanto, um efeito de base de comparação”.
Esse movimento levou à redução da estimativa de avanço da renda da cadeia, “embora a expansão dos volumes produzidos ainda assegure crescimento”. A projeção atual indica alta de 3,54% na renda em 2025, “revertendo uma sequência de três anos consecutivos de queda”. Ainda assim, a estimativa foi revisada para baixo pela segunda vez no terceiro trimestre, após o relatório anterior apontar crescimento de 11,19%.
Com base nas informações levantadas até o encerramento do terceiro trimestre de 2025, o Cepea/Abiove estima que o PIB gerado por tonelada de soja produzida e processada poderá representar 4,2 vezes o PIB gerado pela soja produzida e exportada diretamente.
No mercado de trabalho, o número de pessoas ocupadas na cadeia da soja e do biodiesel cresceu 7,15% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 2,39 milhões de trabalhadores. Com isso, a cadeia respondeu por 2,34% da ocupação total da economia brasileira e por 10,35% do emprego no agronegócio.
Segundo os pesquisadores, “o avanço das ocupações no trimestre – refletindo o desempenho ao longo de 2025 – decorreu principalmente dos aumentos registrados antes da porteira e nos agrosserviços”. O segmento de insumos registrou alta de 7,09% no número de pessoas ocupadas, o equivalente a cerca de 10 mil trabalhadores adicionais, impulsionado pela maior área plantada e pelo uso crescente de tecnologia. Nos agrosserviços, o crescimento foi de 12,08%, associado ao aumento da produção física e do processamento da soja.
Por outro lado, dentro da porteira e na agroindústria, o cenário foi de retração. Na produção de soja, houve queda de 30.291 pessoas ocupadas, recuo de 6,98%, “indicando ganhos de produtividade do trabalho”. Destaca-se a perda expressiva no Rio Grande do Sul, com redução de 26.655 ocupações, em um contexto de quebra de safra por questões climáticas. Na agroindústria, as indústrias de rações e de esmagamento e refino reduziram o número de empregados, e o pequeno aumento observado no biodiesel não foi suficiente para reverter o resultado agregado do segmento.
No comércio exterior, as exportações brasileiras da cadeia da soja e do biodiesel somaram 35,54 milhões de toneladas no terceiro trimestre de 2025, avanço de 11,78% em relação ao mesmo período de 2024. Com o crescimento dos volumes embarcados, a receita alcançou US$ 14,5 bilhões, alta de 4,47%. O avanço mais moderado da receita frente ao crescimento dos volumes reflete os menores preços de exportação da soja e do farelo.
A pressão sobre os preços decorreu da ampla oferta desses produtos no mercado internacional, “apesar da demanda firme”. Para 2025/26, as projeções indicam mudança na tendência de disponibilidade global, “com expectativa de queda na produção”.
No detalhamento por produto, o aumento dos embarques de soja em grão foi impulsionado principalmente pela China e pelo Sudeste Asiático. Para o farelo, destacaram-se como destinos com crescimento a União Europeia e o Leste Asiático. Já no óleo de soja, “diante da firme demanda doméstica”, houve redução dos volumes exportados, com quedas sobretudo para a China.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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