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Cebds: Iniciativas de descarbonização podem reduzir em 80% gases de efeito estufa no Brasil

22 de setembro de 2026, às 12:20

Por Karla Spotorno, correspondente

Nova York, 22/09/2026 – Ações de descarbonização têm o potencial de reduzir em 80% as emissões anuais do Brasil até 2050, num total de 1,1 gigatonelada de CO2 equivalente (GtCO2e). A estimativa consta do estudo Coalizão Brasil pela Transição Climática, coordenado pelo Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Cebds). A estimativa considera as 150 iniciativas identificadas por 270 organizações que relataram quais novas tecnologias e projetos apoiam a redução ou a neutralização das emissões de gases de efeito estufa no País.

No relatório divulgado nesta terça-feira durante a Semana do Clima de Nova York, o conselho pontua que o crescimento esperado do Brasil para os próximos anos amplia em cerca de 75% o desafio de descarbonização no agronegócio e nos setores elétrico, de transportes e mineração. Nesse contexto, é preciso fazer mais, segundo o Conselho. “Cerca de 300MtCO2e/ano residuais estimadas em 2050 reforçam a necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias e mecanismos de compensação para o alcance do Net Zero”, diz o relatório do Cebds.

O relatório faz parte de um esforço iniciado pela presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) de convidar o setor privado, a sociedade civil e o setor público para buscar iniciativas para a transição do País para uma economia de baixo carbono. Por conta desse esforço, foram criadas coalizões para articular e discutir caminhos de reduzir as emissões de efeito estufa.

Prioridade

No relatório, o Cebds explica que serão monitoradas de perto as 30 iniciativas identificadas como tendo maior potencial de mitigação até 2030. “As alavancas de Biocombustíveis e Eletrificação – transversais a diferentes setores – foram selecionadas devido à sua alta materialidade e ao potencial de se beneficiarem de uma coordenação interssetorial”, diz o relatório do Conselho.

Agronegócio

No agronegócio, foram mapeadas 15 iniciativas, que vão de agricultura regenerativa a baixo carbono. Entre elas, estão recuperação de pastos de médio e baixo vigor e intensificação de plantio direto e uso de bioinsumos. Segundo o estudo, o potencial das 15 alavancas é de mitigar entre 510 e 630 MtCO2e até 2050. A estimativa do investimento necessário para viabilizar essa agenda, é entre US$ 130 bilhões e U$S 180 bilhões até 2050. A coalizão no agronegócio foi liderada pelo Cebds, Amaggi, Nestlé, Tereos, Syngenta, Bayer e Citrosuco e mais de 45 entidades.
Contato: karla.spotorno@estadao.com

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