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4 de fevereiro de 2026
Por Daniel Weterman e Alvaro Gribel, do Estadão
Brasília, 04/02/2026 – O Banco de Brasília (BRB) ainda calcula o volume das perdas pelo seu envolvimento com o Banco Master, mas especialistas entendem que o banco será obrigado a diminuir de tamanho ou receber um aporte maior do governo do Distrito Federal, que passa por problemas no Orçamento, para solucionar a equação.
O BRB disse ao Estadão/Broadcast que tem até o dia 31 de março para divulgar os demonstrativos financeiros de 2025, mas não comentou a situação do balanço e das carteiras do Master. O governo do DF não comentou.
Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central Ailton de Aquino afirmou que as perdas para o BRB poderiam passar de R$ 5 bilhões, contabilizando provisões para a compra de carteiras de crédito podres do Master e também de ativos que foram trocados pelo BRB, mas que podem não valer o valor inicialmente previsto.
“A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste (com provisões)”, afirmou Aquino à PF no dia 30 de dezembro.
O banco estatal precisa publicar até o final de março os balanços do terceiro trimestre – que está atrasado – e do quarto trimestre de 2025, e os números terão de mostrar o tamanho das perdas com as operações com o Master. Em paralelo, o Banco Central vai exigir um plano de reestruturação crível para cobrir esse buraco.
O BRB comprou R$ 12,2 bilhões de carteiras de crédito consignado do Master, mas que foram originadas por uma empresa de fachada, segundo a Polícia Federal, chamada Tirreno.
Após a descoberta dos problemas com as carteiras, o BRB as trocou por outros ativos do Master, que também podem apresentar irregularidades ou valer menos do que o banco esperava. Uma auditoria interna do BRB ainda faz um pente-fino nesses números para entender os impactos finais no balanço.
Para levantar recursos e cobrir perdas, o banco estuda vender ativos, como outras carteiras de crédito, lançar um fundo imobiliário, fazer um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e receber recursos do governo do DF, controlador da instituição. O mais provável é que aconteça uma combinação dessas alternativas, com o BRB diminuindo de tamanho, de um lado, e recebendo aportes, do outro.
“Quando um banco faz provisões, significa que ele vai separar recursos para cobrir perdas. Nesse caso, ele tenta vender ativos para levantar receitas e diminuir esse impacto”, explicou Luis Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Ratings. “Em paralelo, ele pode receber aportes do controlador para melhorar o patrimônio líquido e, assim, manter a instituição dentro dos parâmetros mínimos de adequação de capital.”
Com a baixa de ativos em seu balanço – ou seja, com o banco reconhecendo que eles valem menos do que achava -, o BRB provavelmente ficará “desenquadrado” do chamado Índice de Basileia – um indicador de prudência medido pelo BC que obriga os bancos a ter um determinado nível de patrimônio em relação aos seus ativos. Isso também pode levar o BRB a ficar com patrimônio líquido negativo, uma situação ainda urgente para ser resolvida.
Em ambos os casos, o Banco Central irá exigir esse plano de reestruturação para que os números voltem para o patamar de prudência do sistema financeiro.
Nesta terça-feira, 3, o BRB divulgou uma nota afirmando que encontrou “achados relevantes” em relatório preliminar de uma auditoria feita pelo banco junto à Machado & Meyer com suporte técnico da Kroll. Essas informações foram repassadas à Polícia Federal e ao Banco Central e dizem respeito a supostos “atos ilícitos” que possam ter sido praticados pela gestão do banco.
“O BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB, medidas estas que correm parte em sigilo, e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco”, disse o BRB.
“Por fim, o BRB ressalta que segue sólido e reafirma seu compromisso com a preservação de seu patrimônio, de seus clientes e do desenvolvimento econômico e social de Brasília e região”, completou.
Na última sexta-feira, 30, a Polícia abriu um inquérito para apurar se houve gestão temerária no BRB, autor de proposta de compra do Banco Master – rejeitada pelo Banco Central em setembro.
Balanço na mira
De acordo com o último balanço divulgado pelo BRB, do segundo trimestre de 2025, os ativos totais do banco somaram R$ 74,5 bilhões. O banco ainda não informou qual será o valor ajustado após a compra de créditos do Master e a troca de ativos que realizou com o banco de Daniel Vorcaro. O patrimônio líquido era de R$ 4 bilhões – por isso, uma baixa de R$ 5 bilhões, como disse Ailton de Aquino, poderia levar o banco a ter patrimônio negativo.
Integrantes do BRB e do governo do Distrito Federal apontam que a solução pode passar pela venda de carteiras de empréstimos a Estados e municípios com garantia da União e de financiamentos imobiliários – dois ativos considerados de qualidade por possuírem baixo risco de inadimplência.
Conforme o Estadão/Broadcast revelou, o banco negocia a venda de quase R$ 1 bilhão em empréstimos com garantia da União aos bancos Itaú e Bradesco. Seria uma forma de antecipar os valores a receber e levantar recursos rapidamente neste momento.
“O BRB comprou ativos do Master questionáveis em termos de qualificação. Ou eles escondem isso ou ajustam agora e terão que fazer um aporte de capital no patrimônio”, diz o economista Camillo Bassi, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ex-analista do Banco Central. “Um banco não pode ficar com um patrimônio negativo porque ele minguaria a capacidade de ofertar crédito.”
Segundo o especialista, o banco pode antecipar recursos a receber vendendo carteiras com deságio – ou seja, alguma perda. Isso diminuiria o tamanho do BRB em um primeiro momento, mas também reduziria a necessidade de aporte do governo distrital.
“É como se você perdesse algo para ganhar. O BRB perderia, mas poderia recompor o capital e ganhar alavancagem, dentro da relação do Índice de Basileia”, afirmou.
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