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23 de novembro de 2025
Por Carolina Brígido e Weslley Galzo, do Estadão
Brasília, 23/11/2025 – O ex-presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo, 23, em audiência de custódia, que a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica foi motivada por “paranoia” e “alucinação” causadas pelo uso de medicamentos psiquiátricos. As declarações foram dadas à juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, que atua como auxiliar no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A prisão preventiva de Bolsonaro segue mantida após a audiência.
“Indagado acerca do equipamento de monitoramento eletrônico, o depoente respondeu que teve uma ‘certa paranoia’ de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (Pregabalina e Sertralina)”, diz a ata da audiência. O documento também atesta que o ex-presidente alegou ter “o sono picado e não dorme direito”.
Bolsonaro também disse à juíza que “estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa”. Também alegou que não se lembra de ter tido “surto dessa natureza em outra ocasião”. O depoente disse que toma um dos remédios cerca de quatro dias antes de ser preso.
Ainda segundo a ata, Bolsonaro teria começado a mexer na tornozeleira com um ferro de soldar na tarde da sexta-feira, 21, e teria interrompido a atividade por volta da meia-noite. Alegou que tem curso de operação desse tipo de equipamento e tinha o ferro de solda em casa. Contou também que depois “caiu na razão”, parou e comunicou os agentes que fiscalizavam a prisão domiciliar.
O ex-presidente também afirmou que estava em casa com a filha, o irmão mais velho e um assessor, mas ninguém teria percebido a movimentação.
À juíza, Bolsonaro negou qualquer intenção de se livrar do equipamento e fugir. Também ressaltou que não houve rompimento da cinta que prendia o equipamento ao tornozelo dele. E acrescentou que a vigília convocada por seu filho Flávio ocorreria a 700 metros da residência, “não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga”.
Ao final da audiência, a juíza manteve a prisão preventiva, por constatar que não houve qualquer irregularidade na determinação de Moraes. O ex-presidente estava em prisão domiciliar e, após detectada a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
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