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24 de setembro de 2026, às 09:08
Por Marianna Gualter, Mateus Maia e Célia Froufe
Brasília, 24/09/2026 – Em um segundo box específico sobre os impactos da alta internacional do preço do petróleo sobre a inflação brasileira, o Banco Central analisa evidências recentes sobre possíveis efeitos de segunda ordem do choque nos preços de petróleo e derivados, associado ao conflito no Oriente Médio. Teoricamente, o BC tem mais ferramentas para atuar sobre os efeitos de segunda ordem do que nos de primeira. Em geral, segundo o BC, os indicadores de formação de preços e salários não apontam, até o momento, para propagação inflacionária relevante por meio de efeitos de segunda ordem.
“Ainda assim, alguns indicadores, particularmente as expectativas de inflação de empresas e consumidores e as expectativas das firmas para os custos de mão de obra, apontam para riscos de propagação que merecem acompanhamento”, trouxe no estudo “Choque nos preços de petróleo e derivados: evidências de efeitos de segunda ordem na inflação brasileira”.
No canal de formação de preços, o BC salienta que as empresas esperam dificuldades para repassar integralmente os aumentos de custos decorrentes do choque. “Somado a isso, não se observam sinais de aumento da inflação em segmentos presumidamente pouco expostos ao aumento dos preços de petróleo e derivados. No canal de formação de salários, diferentes medidas da dinâmica salarial tampouco apontam para aceleração disseminada após o início do conflito.”
A instituição ressalva que essa avaliação se baseia nas informações disponíveis até o momento e deve ser interpretada com cautela, já que os efeitos de segunda ordem podem levar tempo para se materializar. “Essa preocupação se torna particularmente relevante diante do comportamento recente de alguns indicadores, que apontam para condições potencialmente mais favoráveis à materialização desses mecanismos de propagação”, enfatizou.
Em especial, o trabalho revela que as expectativas de inflação de empresas e consumidores, bem como as expectativas das firmas para o crescimento dos custos de mão de obra, aumentaram após o início do conflito. “Além disso, parte das condições iniciais da economia aponta para um cenário potencialmente menos benigno.”
Em particular, o BC destaca que a inflação encontra-se próxima ao limite superior do intervalo de tolerância ao redor da meta, as expectativas estão desancoradas e a economia opera com hiato do produto positivo e mercado de trabalho aquecido. “Esse risco é mitigado pela política monetária em território restritivo e pela ausência de aumentos persistentes da atenção do público a temas relacionados à inflação. Dessa forma, os riscos de propagação não podem ser descartados”, trouxe a instituição.
Por conta disso, o BC ressalta que, além de acompanhar a própria evolução do atual choque de preços de petróleo e derivados e seus efeitos primários, é fundamental continuar monitorando possíveis sinais de sua propagação por meio de efeitos de segunda ordem.
Contato: marianna.gualter@broadcast.com.br, mateus.maia@broadcast.com.br e celia.froufe@broadcast.com.br
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