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25 de novembro de 2025
Por Caroline Aragaki e Maria Regina Silva
Os recentes recordes históricos nominais do Ibovespa podem dar a impressão de que há um otimismo generalizado na renda variável. Contudo, alguns indicadores apontam uma realidade diferente, como a alta real da Bolsa (descontada a inflação) ainda negativa em relação ao período pré-pandemia, o giro financeiro diário abaixo da média e a ausência de aportes expressivos por parte dos investidores institucionais.
Assim, analistas ouvidos pela Broadcast apontam que ainda há espaço para novos avanços no Ibovespa. Para ter uma valorização condizente com anos de euforia, como 2020 e 2021, quando o giro financeiro diário médio ficava em torno de R$ 36 bilhões, o índice teria que registrar um salto anual de até 60% – em 2025 até o momento, o Ibovespa acumula uma valorização de cerca de 30%. Neste sentido, a expectativa de queda da Selic pode ajudar, mas as eleições de 2026 e o fiscal a partir de 2027 também seriam determinantes para um bom humor firmemente generalizado, afirmam.
“O recorde nominal do Ibovespa não reflete um momento de otimismo máximo, sem dúvida nenhuma”, diz o gestor de renda variável da Nero Capital, Daniel Utsch. Segundo ele, seria necessário expandir o múltiplo do Ibovespa em 17 vezes para retomar o topo de otimismo que houve em 2008.
Em maio daquele ano, o principal indicador da B3 encerrou com o segundo melhor fechamento mensal, em meio à elevação do rating do Brasil a investment grade pela Fitch. “Fazendo uma conta de padaria, nos ralis de otimismo mais recentes, janeiro de 2020 ou meados de 2021, o Ibovespa teria que ter uma alta 50% ou 60% maior”, calcula Utsch.
Além disso, o volume financeiro médio no mercado à vista na B3 foi de R$ 21,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025. O desempenho é inferior aos quase R$ 37 bilhões do valor histórico registrado no primeiro trimestre de 2021 com o Ibovespa em 130 mil pontos, lembra o gestor da Nero Capital.
Raphael Figueiredo, estrategista de ações da XP, também é categórico ao avaliar que os recordes nominais do Ibovespa não condizem com a realidade de sentimento por parte do investidor. “Tenho plena confiança de que a euforia com a Bolsa não chegou”, afirma. “É o bull market menos eufórico, ou talvez o mais silencioso, que vivi em meus 22 anos de carreira”, diz. Mesmo com o Ibovespa renovando recordes, Figueiredo diz que ninguém está comemorando, porque tem poucos alocando em renda variável.
Outro ponto que mascara a realidade do Índice Bovespa é quando se avalia o indicador em dólar. “Não tem uma leitura hoje que leve em consideração a Bolsa dolarizada, não leva em consideração em grande parte a inflação do período. Então é muito fácil falar que está na sua máxima histórica”, avalia Felipe Sant’Anna, especialista em ações da Axia Investing.
Reportagem especial da Broadcast de 2024 mostra que o Ibovespa dolarizado só alcançaria novos recordes com um dólar a R$ 3 ou Ibovespa a 244 mil pontos.
Em termos de múltiplo Preço por Lucro para 2026, a correlação do Ibovespa está perto de 8,5 vezes, enquanto a média é de 10,5 vezes, avalia o estrategista da Potenza Capital, Bruno Takeo. “Mantendo o lucro das empresas e a queda da Selic permitindo uma normalização do múltiplo, teria aproximadamente 28% de valorização, o que seria um Ibovespa de 190 mil pontos”, diz, completando que, olhando a análise técnica, o principal indicador da B3 deve mirar algum alvo antes de tocar o nível dos 190 mil pontos.
Figueiredo, da XP, também considera que a tendência do Ibovespa ainda é de alta, considerando que a característica de P/L ainda é boa e que investidores estrangeiros continuam enviando recursos ao Brasil com a diversificação de portfólio global. Outro ponto, segundo o estrategista, é de que a volatilidade do Ibovespa é a mais baixa da história, o que mostra que “as correções podem acontecer, mas serão intermediárias, e não uma mudança de trajetória”.
O movimento de rotação de carteiras globais ocorre em meio à percepção de queda do excepcionalismo americano e ao início de cortes de juros nos Estados Unidos, que acaba por deixar ativos de alguns países – principalmente de emergentes – atrativos, diante, por exemplo, do diferencial das taxas básicas.
O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, considera que investidores estrangeiros estão buscando um pouco mais de risco. Outra questão, conforme ele, é que o ponto de comparação é o ano passado, quando o Índice Bovespa perdeu muito – fechou na pior marca desde 2021. “Então, qualquer variação mostra um crescimento expressivo”, diz Tavares.
O gestor da Nero Capital considera que o Ibovespa – que recentemente tocou pela primeira vez o nível de 158 mil pontos no intraday – só não está na marca dos 110 mil pontos atualmente pela revisão do excepcionalismo americano. “Estrangeiros começaram a se alocar em diferentes lugares e vem um pouco para emergentes. Na escassez de outros emergentes minimamente decentes, em termos de tamanho de mercado e liquidez, vem algum recurso para cá”, afirma.
Contudo, ele pondera que a política monetária mais favorável – com expectativa de corte na Selic a partir de 2026 – tende a melhorar o fluxo de investidores institucionais. Uma eventual euforia mesmo, segundo o gestor de renda variável, viria apenas com a confluência de três fatores macro domésticos: eleição, fiscal e política monetária frouxa. “Se isso acontecer, o múltiplo do Ibovespa iria para 14 vezes o P/L”, calcula Utsch.
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