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23 de setembro de 2026, às 17:20
Por Juliana Machado
São Paulo, 23/09/2026 – O Brasil tem empresas de qualidade a preços baixos e é um dos melhores mercados para escolher ações, avaliam gestores internacionais de mercados emergentes que participaram do evento Investment Conference 2026, organizado pelo J.Safra, nesta quarta-feira.
Jeff García, sócio do Capital Group, Samuel Vecht, portfolio manager de mercados emergentes da BlackRock, e Ola El-Shawarby, portfolio manager para mercados emergentes da VanEck, compartilham a visão de que há boas opções de investimento no Brasil. Isso vale mesmo em meio à indefinição sobre a eleição e a trajetória dos juros.
García destacou o país como opção para quem escolhe ações empresa a empresa. “Esse é um dos melhores mercados para bottom-up [do nível micro para o nível macro]. Vocês têm bons valuations [avaliação de preços]”, afirmou. “Se os investidores se ativerem a bons modelos de negócio, independentemente de quem está no governo, o resultado será bom.”
García vê bancos, saúde e construção como setores a serem observados, além das oportunidades no segmento de mineração, pela sua conexão com o aumento da maior demanda por energia e outras indústrias para a infraestrutura ligada à inteligência artificial.
El-Shawarby, por sua vez, avalia que a queda dos juros pode ser o gatilho para a bolsa brasileira. “Olhando para o Brasil, as ações são muito baratas. A trajetória [dos juros] tem que cair, e o espaço é grande, independentemente do ruído da política”, afirmou. Segundo ela, esse movimento trará oportunidades para as ações de um país com recursos de energia, grande mercado doméstico e agricultura. Fora de Taiwan e Coreia, a gestora vê Brasil e Índia entre os destaques.
Ainda de acordo com ela, o mercado brasileiro oferece amplitude, profundidade e liquidez. “A qualidade da gestão [das empresas] é muito grande, porque elas têm que navegar em ambientes muito difíceis”, disse. “Queremos encontrar empresas que gerem retornos sustentáveis, que ofereçam retorno de capital e vantagens difíceis de replicar. Essas empresas existem aqui e são mais baratas do que em outros lugares”, afirmou.
Entre os setores, El-Shawarby cita financeiro, saúde, metais e mineração na América Latina como principais alternativas. “Ainda gostamos de instituições financeiras. Temos alguma preocupação com o risco de algumas instituições, e o ciclo de crédito está se deteriorando, mas há instituições que você pode comprar e carregar”, afirmou.
O setor de saúde, segundo ela, é um de “compounding estrutural”, isto é, que gera retorno recorrente com o tempo, com ações baratas e que devem continuar lucrativas com a queda dos juros. “Fechem os ouvidos para o ruído e não tentem capturar as oportunidades no curto prazo”, disse.
Vecht faz a mesma avaliação, mas procura ser mais seletivo no acréscimo de novos nomes os portfólios. “Não é questão do que é bom na América Latina, e sim se uma ação específica pode oferecer algo que não está na carteira. Acrescentar mais bancos não é interessante para os clientes, porque já temos bancos”, afirmou. O gestor defende uma “diversificação deliberada” e cita o varejo como opção. “Acho que há oportunidades em varejo, que está muito barato”, disse.
Ele também fez menção ao segmento de instituições financeiras, mas segue cauteloso com o cenário de crédito. “O consumidor está muito alavancado, e a questão é onde estamos no ciclo. É muito fácil emprestar dinheiro nos mercados emergentes, difícil é recuperá-lo. Mas isso também é um fenômeno global, não só brasileiro”, disse.
Contato: juliana.machado@estadao.com
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