Política
13/09/2017 07:58

Operação da PF que prendeu Wesley Batista tem nova ordem de prisão contra Joesley


São Paulo, 13/09/2017 - A prisão do sócio da JBS Wesley Batista, executada na manhã desta quarta-feira, 13, pela Polícia Federal, se deu no âmbito da Operação Acerto de Contas, a Segunda fase da Operação Tendão de Aquiles. Na operação deflagrada hoje, além do pedido de prisão de Wesley, consta também uma nova ordem de prisão contra o empresário Joesley Batista, outro dono do conglomerado J&F.

Joesley está preso temporariamente na Polícia Federal, por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, desde domingo por suspeita de violação de sua delação premiada. Ele encontra-se hoje detido na PF de Brasília.

Os executivos são investigados na Tendão de Aquiles em inquérito sobre manipulação do mercado financeiro, referente ao suposto lucro obtido com a venda de dólares às vésperas da divulgação da delação premiada dos executivos da J&F.

Manipulação. No pedido de prisão da Polícia Federal diz que ‘há provas que os irmãos agiram pessoalmente para manipular ações do grupo no mercado’.

A PF cumpriu também nesta quarta dois mandados de busca e apreensão.

Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo a pedido da PF como decorrência dos fatos investigados desde que teve início o inquérito policial nº 120/2017, conhecido como operação Tendão de Aquiles, que investiga o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio de 2017, data de divulgação de informações relacionadas a acordo de colaboração premiada firmado por ambos os presos e a Procuradoria-Geral da República.

A 1ª fase foi deflagrada em 9 de junho quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva.

A investigação apura dois eventos. O primeiro é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS S/A na bolsa de valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a empresa FB Participações S/A e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS S/A, manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha.

O segundo evento investigado é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS S/A, em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17.

Em nota, a PF informou que após a deflagração da primeira fase da operação, com intensa cooperação institucional com a Comissão de Valores Mobiliários, ‘policiais federais analisaram documentos, ouviram pessoas e realizaram perícias, trazendo aos autos elementos de prova que indicam o cometimento de crimes e apontam autoria aos dois dirigentes das mencionadas empresas’.

Os investigados poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida. (Fausto Macedo, Julia Affonso e Fabio Serapião)
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