Política
23/11/2020 08:52

Especial: Fim do auxílio escancara desigualdade e pressiona governo a manter benefício


Por Daniel Weterman

Brasília, 20/11/2020 - O auxílio emergencial diminuiu a pobreza no Brasil durante a pandemia de covid-19, impulsionou as vendas no comércio e até aumentou a arrecadação em alguns Estados, apesar do baque na economia. O fim do benefício, porém, pode levar a desigualdade no País de volta ao patamar dos anos 1980. O cenário pressiona o governo do presidente Jair Bolsonaro a prorrogar ou substituir o pagamento por um programa que eleve gastos a partir de 2021.

O governo ainda não anunciou o que virá a partir do ano que vem. Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu a possibilidade de prorrogar o auxílio emergencial se houver uma segunda onda de covid-19. Na quinta-feira, 19, o chefe da pasta declarou que o governo vai manter o Programa Bolsa Família como está se não houver uma nova medida sólida fiscalmente. Setores do próprio Executivo e do Congresso Nacional, porém, querem tirar do papel um programa de renda mínima.

O governo prevê gastar um total de R$ 322 bilhões com o auxílio emergencial, pago a trabalhadores informais e desempregados, neste ano. Até esta quinta, foram pagos R$ 261,5 bilhões em benefícios de R$ 600 e R$ 300 para 68 milhões de beneficiários. Um benefício do mesmo tamanho é considerado inviável a partir do próximo ano, quando o governo volta a ter de respeitar o teto de gastos, regra que proíbe o crescimento real de despesas. Em 2020, os gastos relacionados à crise ficaram fora dessa limitação.

O efeito que o auxílio causou na economia aumentou a pressão para a elaboração de um programa social mais robusto do que o Bolsa Família a partir do ano que vem. O presidente Jair Bolsonaro, que teve índices de popularidade impulsionados pelo benefício ao longo do ano, planeja lançar um programa de renda, mas ainda não anunciou uma fonte de financiamento e quais despesas serão cortadas para abrir espaço para o pagamento. O governo tem prometido deixar tudo dentro do teto.

Após cair ao longo do primeiro ano de governo, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro disparou em setembro, na comparação com dezembro do ano passado. Pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a fatia da população que considera o governo ótimo ou bom é de 40%, 11 pontos a mais do que em dezembro de 2019 (29%). O índice é o maior desde o início do mandato de Bolsonaro, que pôs em campo seu projeto de reeleição em 2022.

Contato: daniel.weterman@estadao.com
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