Política
09/08/2018 12:58

Marun diz que "pode até haver justiça" no reajuste do Judiciário, mas não sabe se é possível


Brasília, 09/08/2018 - O ministro de Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou nesta quinta-feira (9) que "pode até haver justiça" no pedido de reajuste de 16,38% do Judiciário, aprovado ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas não sabe se será possível conceder o aumento. "O Brasil vive hoje um conflito entre o justo e o possível... Não tenho algo a questionar em relação à justiça desta atualização do valor do salário", declarou Marun.

Questionado se o aumento de 16,38% seria justo, durante coletiva de imprensa, Marun disse que o valor é referente aos últimos quatro anos. Neste período, o ministro afirmou que a inflação chegou a dois dígitos, embora tenha recuado nos últimos dois anos.

"Não cheguei a analisar os números, mas tenho preocupação em relação à possibilidade. Pode até existir justiça [no reajuste], mas o que me preocupa é o possível. É Possível ser feito nesse momento? Isso eu não sei dizer", respondeu. Marun destacou que não participou de nenhuma reunião até o momento no Palácio do Planalto para tratar do assunto.

A decisão dos ministros do STF de propor um reajuste em seus próprios salários para o ano que vem foi vista pela equipe econômica como um sinal bastante negativo em meio ao esforço de ajuste fiscal, segundo apurou o Broadcast. A avaliação é que o timing do aumento atrapalha inclusive a argumentação do governo a favor do adiamento do reajuste dos servidores da União de 2019 para 2020, medida essencial para equilibrar o projeto de lei orçamentária para o ano que vem.

O salário de ministro do STF é o que baliza o teto remuneratório do funcionalismo. Segundo integrantes da equipe econômica, servidores federais que no papel recebem mais que os R$ 33,7 mil mensais de limite e são atingidos pelo "abate-teto" poderão passar a não devolver o excedente à União, ou devolver menos.

Além disso, os limites de remuneração nos Estados estão vinculados ao salário de ministro do STF, o que deve gerar um efeito cascata e agravar as finanças dos governos estaduais, que já passam por uma profunda crise. (Julia Lindner - julia.lindner@estadao.com)
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