Economia & Mercados
22/05/2020 14:50

Com queda da Selic, rentabilidade do FGTS já supera diversas opções de renda fixa


Por Francisco Carlos de Assis

São Paulo, 22/05/2020 - O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que historicamente sempre perde em rentabilidade para a inflação e todas as modalidades de investimento, tornou-se agora uma das melhores aplicações para o trabalhador quando comparadas a outras alternativas de renda fixa. Remunera o cotista com uma taxa de 3% ao ano e, assim, já empata com a Selic, supera a caderneta de poupança, que paga aos poupadores 70% da Selic, e o rendimento médio do Certificado de Depósito Bancário (CDB), de 85% do CDI, sobre o qual ainda incide cobrança de Imposto de Renda (IR).

A vantagem do rendimento do FGTS sobre as demais aplicações pode aumentar ainda mais em junho, quando o Copom deverá reduzir a Selic em 0,50 ou 0,75 ponto porcentual, para 2,50% ou 2,25% ao ano, segundo expectativas dos analistas do mercado financeiro. Em janeiro, para efeito de comparação, o CDI rendia ao investidor 0,38%. Agora em maio, com a queda da Selic, o CDI passou a pagar 0,23%. O FGTS, por sua vez, rendeu 0,25%.

Tais comparações servem para mostrar que, dentro do universo da renda fixa, deixar o dinheiro parado no fundo pode ser uma boa opção. Acontece que desde o ano passado está em vigência um programa da Caixa Econômica Federal que permite ao trabalhador sacar parcelas de seu saldo no FGTS na data de seu aniversário. O objetivo do governo, com a instituição do programa, é injetar recursos na combalida economia.

De acordo com o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, para o trabalhador que conseguir passar pela crise atual sem precisar lançar mão do seu saldo no FGTS, o melhor que ele faz é deixar o dinheiro parado lá.

"O FGTS hoje é uma boa aplicação porque está dando 3% ao ano e a sua regra não muda com os movimentos da Selic e da poupança. Então o fundo vai ter pelo menos 0,50% de rentabilidade real no ano [descontada a inflação]", prevê o economista. Para ele, a taxa de inflação este ano deverá fechar em torno de 2,50% e a Selic em 2,25% ao ano.

Em janeiro deste ano, quando a Selic estava em 4,50% ao ano, o CDI rendia 0,38% ao mês; o CDB, 0,32%; a poupança, 0,26% e o FGTS, 0,25%. Neste mês de maio, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juro a 3% ao ano, o CDI pagou 0,23% ao mês; o CDB, 0,20%; a poupança, 0,17%; e o FGTS, 0,25%. Vale notar que, no caso do CDB, a alíquota de IR varia de acordo com o tempo da aplicação.

Para junho, mês em que a Austin Rating projeta que a Selic cairá 0,75 ponto porcentual, para 2,25% ao ano, o CDI deverá render 0,19% ao mês, o CDB pagará 0,16%, a poupança renderá 0,13% e o FGTS, 0,25% ao mês. Todos os retornos do CDI e do CDB foram calculados com base em uma alíquota de IR de 22,5%.


 FGTS -Comparativo de Rendimento com Remuneração de Renda Fixa 
     Selic Meta (%)   CDI (%)   CDB (%)   Poupança (%)   FGTS (%) 
Jan/20 4,50 0,38 0,32 0,26 0,25
Fev/20 4,25 0,29 0,25 0,24 0,25
Mar/20 3,75 0,34 0,29 0,22 0,25
Abr/20 3,75 0,28 0,24 0,17 0,25
Mai/20 3,00 0,23 0,20 0,13 0,25
Jun/20 2.25 0,19 0,16 0,13 0,25
Jul/20 2,25 0,20 0,17 0,13 0,25
Ago/20 2,25 0,19 0,16 0,13 0,25
Set/20 2,25 0,19 0,16 0,13 0,25
Out/20 2,25 0,20 0,17 0,13 0,25
Nov/20 2,25 0,18 0,15 0,13 0,25
Dez/20 2,25 0,19 0,16 0,13 0,25
Jan/21 2,25 0,19 0,16 0,13 0,25
Fonte: Austin Rating
Elaboração: Broadcast
***Alíquota IR
Até 180 dias - 22,50%
De 181 a 360 dias -20,00%
De 361 a 720 dias - 17,50%
Acima 720 dias - 15,00%






Ainda, de acordo com Agostini, em dezembro de 2019, quando a Selic estava em 4,50% ao ano, um trabalhador que tivesse investido igualmente R$ 1.000,00 em CDI, CDB, Poupança e FGTS, em dezembro deste ano, após 12 meses, teria auferido rendimentos de 2,31% no CDI, 1,06% no CDB, 2,04% na poupança e 3,00% no FGTS. Veja na tabela abaixo.


 FGTS - Comparativos/Rendimentos em Valores com Renda Fixa 
     Selic Meta (%)   CDI ($)   CDB ($)   Poupança   FGTS ($) 
Dez/19 4,50 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00
Jan/20 4,50 1.003,77 1.003,20 1.002,59 1.002,47
Fev/20 4,25 1.006,71 1.005,71 1.005,04 1.004,47
Mar/20 3,75 1.010,12 1.008,60 1.007,21 1.007,42
Abr/20 3,75 1.013,00 1.011,04 1.009,39 1.009,90
Mai/20 3,00 1.015,38 1.013,06 1.011,14 1.012,39
Jun/20 2,25 1.017,26 1.014,66 1.012,46 1.014,89
Jul/20 2,25 1.019,33 1.016,41 1.013,78 1.017,39
Ago/20 2,25 1.921,22 1.018,01 1.015,10 1.019,90
Set/20 2,25 1.023,12 1.019,62 1.016,42 1.022,42
Out/20 2,25 1.025,20 1.021,28 1.017,74 1.024,94
Nov/20 2,25 1.027,01 1.022,92 1.019,07 1.027,47
Dez/20 2,25 1.028,92 1.024,53 1.020,40 1.030,00
    R$ 1.023,13 R$ 1.019,62 R$ 1.020,40 R$ 1.030,00
    2,31% 1,96% 2,04% 3,00%
Fonte: Austin Rating
Elaboração: Broadcast


Quando os cálculos são feitos considerando a Selic de maio, de 3% ao ano, e assumindo que ela vai ser reduzida em junho para 2,25% ao ano e assim permanecendo até maio de 2021, o rendimento dos R$ 1.000,00 no CDI será de 1,83%. No CDB será de 1,56%, na poupança, de 1,58%, e no FGTS, de 3,00%. A rentabilidade de todos os investimentos não leva em consideração a inflação. Caso fosse descontado a taxa do IPCA, o rendimento seria ainda menor e, em alguns casos, até mesmo negativo.


 FGTS - Projeções Comparativas c/ Outras Aplicações até Maio de 2021 
     Selic Meta (%)   CDI ($)   CDB ($)   Poupança ($)   FGTS ($) 
Mai/20 3,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00
Jun/20 2,25 1.001,86 1.001,58 1.001,30 1.002,47
Jul/20 2,25 1.003.89 1.003,31 1.002,61 1.004,94
Ago/20 2,25 1.005,76 1.004,89 1.003,91 1.007,42
Set/20 2,25 1.007,62 1.006,48 1.005,22 1.009,90
Out/20 2,25 1.009,67 1.008,22 1.006,53 1.012,39
Nov/20 2,25 1.011,46 1.009,73 1.007,84 1.014,89
Dez/20 2,25 1.013,33 1.011,32 1.009,16 1.017,39
Jani/21 2,25 1.015,24 1.012,94 1.010,47 1.019,90
Fev/21 2,25 1.017,16 1.014,57 1.011,79 1.022,42
Mar/21 2,25 1.019,08 1.016,19 1.013,11 1.024,94
Abr/21 2,25 1.021,00 1.017,82 1.014,43 1.027,47
Mai/21 2,25 1.022,92 1.019,45 1.015,75 1.030,00
    R$ 1.018,34 R$ 1.015,56 R$ 1.015,75 R4 1.030,00
    1.83% 1,56% 1,58% 3,00%
Fonte: Austin Rating
Elaboração: Broadcast



Contato: francisco.assis@estadao.com
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