Economia & Mercados
08/04/2021 08:57

Especial: Montadoras retomam produção após paradas por pandemia, mas falta de peças persiste


Por Eduardo Laguna

São Paulo, 06/04/2021 - Após a pandemia parar na semana passada a maioria das montadoras do País, os fabricantes de veículos, em sua maior parte, retomaram a produção entre ontem e hoje. A irregularidade no abastecimento de peças, no entanto, continua comprometendo o trabalho nas linhas de montagem, junto com as restrições decorrentes do pior momento da crise sanitária.

Entre as montadoras que suspenderam a produção por períodos de sete a 17 dias pela piora da pandemia, apenas Nissan, Honda e Jaguar Land Rover seguem com as fábricas paradas, sendo que as duas últimas aderiram à paralisação espontânea mais tarde do que as demais. O retorno das três está previsto para a próxima segunda-feira.

Desde ontem, retomaram a produção Volkswagen - primeira a anunciar que pararia -, Hyundai, Toyota e Renault, além da fábrica da General Motors (GM) em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Na indústria de caminhões, a produção voltou ontem na Volkswagen Caminhões e Ônibus e na Scania, assim como na Volvo, que tinha paralisado 70% da produção de caminhões em Curitiba (PR).

A Mercedes-Benz também voltou a produzir nas fábricas de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG), mas já começou a dar férias coletivas a grupos alternados de funcionários da produção. A montadora diz que, assim, vai ter um grupo menor de operários trabalhando simultaneamente, reduzindo, portanto, o risco de contaminações.

Mesmo com o retorno das montadoras, a falta de peças continuará sendo um limitador da produção. Por pelo menos mais dois meses - abril e maio -, a fábrica da GM em Gravataí, no Rio Grande do Sul, seguirá completamente parada, porque não há componentes suficientes para montar o Onix, carro mais vendido no País. Pelo mesmo motivo, a fábrica da GM que produz em São José do Campos, no interior de São Paulo, o utilitário esportivo TrailBlazer e a picape S10 segue funcionando com apenas um turno de trabalho.

Hoje, ao comentar os resultados do mês passado, quando as vendas de veículos subiram 13,2% na comparação com fevereiro, a Fenabrave, associação que representa as concessionárias, informou que as revendas seguem sofrendo atrasos nas entregas por conta da falta de insumos e paradas de produção nas montadoras.

Segundo Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, boa parte do desempenho positivo num mês de concessionárias fechadas em mercados importantes como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, se deve a vendas que estavam represadas. Ou seja, carros que já tinham sido vendidos, mas entregues ao cliente apenas no mês passado.

"Muitas dessas vendas já tinham sido realizadas nos meses anteriores e os clientes estavam aguardando a entrega dos veículos pelos fabricantes, o que ocorreu em março", diz Alarico. "Em 2020, quando ocorreu a primeira onda da pandemia da covid-19, tínhamos estoques e a indústria trabalhava sem problemas de abastecimento. Hoje, os estoques praticamente não existem, tanto nas concessionárias como nos pátios das montadoras", acrescenta o presidente da Fenabrave.

Contato: eduardo.laguna@estadao.com
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