Economia & Mercados
08/10/2019 11:59

Cemig lança nova empresa de geração distribuída, com meta de atender 16 mil clientes até 2020


Por Luciana Collet

São Paulo, 08/10/2019 - A Cemig realiza nesta terça-feira o lançamento de uma nova empresa, focada inicialmente em geração distribuída para consumidores corporativos, mas com um plano de negócios que prevê, em futuras fases, a ampliação da oferta de serviços em atividades como gestão de conta, armazenamento de energia, eficiência energética, gestão de iluminação pública e utilidades e mobilidade elétrica, e também o atendimento de consumidores residenciais.

A empresa chega atrasada no segmento. A geração distribuída passa por uma forte expansão nos últimos anos e já responde por uma capacidade instalada da ordem de 1,4 gigawatts instalados no País, sendo que Minas Gerais é o estado com o maior volume instalado - 308,5 megawatts (MW), distribuídos em mais de 25,4 mil instalações, atendendo a 45,3 mil unidades consumidoras, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Mesmo assim, a meta da nova empresa é se tornar líder no segmento, afirmou o presidente da Cemig, Cledorvino Belini, ao Broadcast. Segundo ele, a meta inicial da companhia é alcançar 16 mil clientes na nova empresa até o final de 2020. Para isso, a empresa deverá investir, em parceria com a iniciativa privada, na instalação de 200 MW de capacidade instalada de miniusinas, cada uma com até 5 MW, o que deve consumir cerca de R$ 600 milhões. Ele destacou, no entanto, que a Cemig será minoritária nas novas usinas, portanto sua parcela de investimentos será inferior a R$ 300 milhões. “O plano nosso até 2022 é atingir 1 GW de GD (geração distribuída), de energias renováveis”, acrescentou.

Ele minimizou o atraso da companhia, e citou que os 45 mil consumidores da área de concessão da Cemig hoje atendidos por GD representam menos que o crescimento anual da distribuidora, em número de clientes, da ordem de 200 mil.

Até dezembro, a companhia terá em operação 10 usinas, somando 42 MW, suficiente para atender cerca de 2,5 mil clientes. Em uma primeira iniciativa, a Cemig já havia desenvolvido, em um projeto de pesquisa e desenvolvimento, a usina Janaúba, de 5 MW, que atende 350 clientes e realizou chamadas públicas para atrair empreendedores para o desenvolvimento de novos projetos, em parceria.

“Os clientes da Cemig sentiam a necessidade de a empresa estar presente com esse produto porque muitas vezes eles eram assediados para o fornecimento e não se sentiam seguros, porque a relação de 67 anos com a Cemig trazia um conforto maior, por isso a decisão da empresa de investir, dando essa resposta para o cliente da Cemig”, explicou o presidente da S!M, Danilo Gusmão Araújo.

“A Cemig S!M veio para aumentar a competitividade do estado de Minas Gerais em relação aos outros. Vamos oferecer para os pequenos e médios empresários energia mais barata que outros estados, para atrair o desenvolvimento para Minas Gerais”, completou Belini.

Segundo ele, no modelo escolhido, de geração distribuída compartilhada, em que o consumidor não realizará o investimento, mas adquirirá uma cota da miniusina, a redução de custos na tarifa pode chegar a 25%.

A regulação da geração distribuída está passando por uma revisão e uma das mudanças será justamente relacionada à geração remota, ou seja, não instalada no local do consumo, como a proposta pela Cemig. Segundo especialistas, a mudança, atualmente em discussão na Aneel, retira competitividade do modelo e pode até inviabilizá-lo, a depender da calibragem escolhida para a nova regra. Mas os executivos minimizaram a perda da competitividade. “Aí que entra a capacidade de relacionar-se com seus clientes e continuar produzindo num custo adequado, capacidade financeira, e sistema para poder gerenciar”, disse Araújo.

Segundo ele, a regulação atual, que dá um significativo benefício para a GD, o segmento virou um “corrida do outro”. “Achamos que vai haver um movimento de consolidação e somos candidatos a fazer essa consolidação, começando por Minas e indo para novos locais”, disse.

Contato: Luciana.collet@Estadao.com
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